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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

apontar ao impossível, porque o possível já foi todo feito



Quando se fala pela primeira vez de uma sociedade onde não exista um sistema monetário a uma pessoa que nunca pôs a questão em causa, a resposta é invariavelmente a mesma: “utopia”. Não me vou alongar em explicações sobre a comprovada abundância que o nosso planeta poderia alcançar caso abandonássemos o sistema monetário onde tudo o que se faz não se faz para durar o máximo tempo possível, nem para ser o melhor possível, mas pura e exclusivamente para a obtenção de lucro. Daí resulta um sistema de saúde deficitário, um sistema de justiça deficitário, um sistema de ensino deficitário, uma comunicação social deficitária e, resumidamente, uma sociedade deficitária. Mas, como disse, não me vou alongar nestas questões pois vou deixá-las para uma outra oportunidade.
O nascimento deste texto dá-se em resposta a essa questão tão frequentemente levantada pelos quadrados (chamo assim às pessoas que negam algo que nunca puseram em causa), sobre a utopia de um sistema baseado nos recursos naturais em vez de um sistema monetário. Geralmente, quando é iniciada a conversa sobre este tema, mal é começada a primeira explicação sobre os ideais sociológicos de uma pessoa que não acredite na eficaz sustentabilidade do sistema monetário, o burguês (ou o quadrado) passará a nossa primeira explicação não a ouvir atentamente mas a tentar descobrir a que ideologia política os nossos ideais correspondem. Por outras palavras, na explicação de abertura estará o interlocutor a tentar categorizar o que ouve, a pôr um rótulo de “anarquista” ou “comunista” ou “utópico”.
No meu caso acontece que desenvolvi as minhas ideologias sociais antes de conhecer concretamente as ideologias políticas, e talvez daí resulte que quando cheguei a uma convicção sobre aquilo que devia ser a sociedade actual, não a vi como uma ideologia política por duas razões: em primeiro lugar porque não acredito que a política deva ter um lugar de tamanha importância na vida de toda a população de um determinado país, por acreditar que não são os políticos que estudam para encontrarem soluções para as questões essenciais de um país que são a de garantir alimentação, abrigo, ensino e saúde para todos (cabem estas questões a agricultores, pescadores, engenheiros, arquitectos, cientistas ou médicos); os políticos chegam ao seu estatuto sabendo às vezes algumas coisas de números, gíria económica, mas, acima de tudo, noção de lucro. É fácil de ver que não são números que nos alimentam, nem gíria económica que nos abriga, nem noções de lucro que nos cura. Em segundo lugar, porque quando cheguei ao ponto de olhar para aquilo em que acredito que resulta em termos sociais, reparei que não sou nem anarquista, nem comunista, nem socialista, nem fascista, mas uma mistura de tudo, num esforço por dar a mesma oportunidade de desenvolvimento pessoal a alguém que acredite que deve seguir a sua vida de uma determinada maneira diferente da minha. O que não acontece, de resto, em qualquer outra ideologia política que não a do anarquismo, pois em todas as outras há sempre o conceito de “esquerda” e “direita” que não respeita a liberdade plena do indivíduo do grupo oposto.
Dizia eu que a primeira reacção de um interlocutor quadrado numa discussão desta natureza é categorizar as nossas ideias, rotular como nas secções por tema de uma livraria, e então dizem “és anarquista”, ou “és comunista”, ou “és fascista”, sem tentarem seguir a linha de raciocínio até ao fim para depois a poderem pôr em causa com argumentos fundamentados. Em relação a argumentos fundamentados, aí entram algumas questões curiosas porque o que acontece geralmente é que os argumentos de um quadrado nunca são fundamentados. Defendem o sistema monetário porque foi nele que cresceram, é nele que vivem e nunca sequer pararam para pensar nos benefícios (que houveram) e malefícios de um sistema deste género. Então dizem “já foi experimentado anarquismo, já foi experimentado comunismo, já foi experimentado fascismo. Só o capitalismo resultou bem”.
Pois bem. Acho, em primeiro lugar, que não se podem comparar sistemas políticos que tenham sido experimentados em épocas ou condições geo/demográficas completamente diferentes. Em segundo lugar, acredito que dizer que o capitalismo resultou, ou resulta, bem, é de uma ignorância de factos que, além de perigosa, tem sido o alimento do próprio capitalismo.
A começar pela educação. Acreditar que a educação resulta bem quando a esmagadora maioria dos alunos acaba o ensino chamado secundário sem ter a mínima noção do que nasceu para se tornar em adulto. Acreditar que a educação resulta bem quando esta é feita de forma a que as crianças se tornem desde cedo em soldados de produção com uma mentalidade competitiva, em que quando sairem da escola devem fazer não aquilo para que sentem que nasceram, não realizar-se pessoalmente, mas sim escolher um trabalho consoante as necessidades do mercado. E passam os estudantes (principalmente os do ensino superior) por uma altura da vida em que a criatividade, imaginação e energia naturais da idade são desperdiçadas em quartos de estudo intensivo onde não têm tempo para descansar, para comer, para se divertir nem para viver. Optam por cursos com cadeiras onde não vêem utilidade nenhuma, têm professores que não querem saber de mais nada do que ter a sua conta em ordem no final do mês, gastam rios de dinheiro em material obrigatório desnecessário e para quê? Quando saem na universidade são poucos os que encontram trabalho na sua área de formação; menos ainda são os que sentem que aquele curso os realizou a um nível pessoal.
Não tenho soluções definitivas, porque não acredito em soluções definitivas, conclusões, ou tudo o que seja imposto, porque acredito que há sempre algo mais, alguma forma de sermos melhores, mas acredito que o ensino “superior” devia passar não por uma sucessão de cursos com cadeiras que só lá estão para preencher tempo, mas devia o aluno de poder escolher as cadeiras que achasse interessantes para ele entre os vários cursos e, a partir daí, criar ele um conjunto de competências com que poderá ajudar a sociedade ou ele próprio a desenvolver-se. No ensino chamado primário (e peço desculpa por não seguir a explicação pela ordem de ensinos), deveria o aluno poder chegar à escola e escolher aquilo que quer aprender, seja isso aprender a escrever, aprender a construir uma cadeira, aprender a lançar o papagaio ao ar ou aprender a cantar. Mas como daí a alguns anos os alunos do primário têm de ter uma série de competências para poderem entrar no mercado de trabalho, não podem ter a liberdade de fazerem aquilo que gostam ou, mais simplesmente ainda, de aprenderem aquilo que gostam.
Porque a nossa vida é isso não é? Não fazemos aquilo que gostamos, muitos de nós nem sequer sabemos aquilo que nascemos para ser, mas vivemos nesta forma de escravatura oculta, onde temos trabalhos que não gostamos e que na verdade não servem para o desenvolvimento de nada que interesse, mas temos de trabalhar para sobreviver. Estamos no século XXI, no auge da mecanização e tecnologia, onde há máquinas para fazerem todo o trabalho que é realmente necessário (criação de alimento, abrigo, energia). Não é que todos os trabalhos fossem substituíveis por máquinas, mas se substituissem todos aqueles possíveis por mecanização, talvez o ser humano já não precisasse de trabalhar 8, 10, às vezes 24 horas por dia. Mas para que aceitássemos que a mecanização fizesse o trabalho por nós, tinhamos de tirar da cabeça a ideia de que o desemprego é um facto altamente negativo no desenvolvimento de um país. Só num sistema monetário, onde o lucro vem desta escravidão da população, é possível olharmos para o tempo disponível para nós como negativo. Porque sem trabalho não há dinheiro, sem dinheiro não há comida nem casa, nem saúde, nem educação. Fora com o capitalismo e sistema monetário, que venham as máquinas para fazer o trabalho por nós, desenvolvamos as máquinas para que a próxima geração já não tenha de fazer um trabalho que nós hoje temos, e verão como o desemprego é uma benção porque nos dá tempo para nos realizarmos como indivíduos. É incrível a quantidade de pessoas que acorda todos os dias de manhã sem o sentimento de ir fazer nesse dia aquilo que realmente gosta, ou de ir em busca daquilo que gosta ou é. Em vez disso, acordam para ir para um emprego que não os realiza, com pessoas que não são as com quem eles preferiam estar, com horários que não deixam espaço para continuar a procurar aquilo que os realiza como indivíduos ou para se dedicarem como deveria ser às famílias.
Porque é que deixámos de acreditar que nascemos para sermos felizes ou que, tão simples quanto isto, não temos culpa rigorosamente nenhuma de termos nascido e por isso não nos deve ser dado o castigo de trabalharmos para podermos continuar com a vida?
Referi a educação, porque acho que é o pilar mais importante da construção de uma sociedade realmente sustentável e, como eu creio que deva ser, livre.
Outros casos são de igual importância, mas que não vou pormenorizar para que este texto não se extenda a ponto de livro. Não posso, no entanto, deixar de referir a constatação curiosa de que o número de sem-abrigo é inferior em qualquer país ao número de casas inabitadas. Porque é que isto acontece? Lucro; sistema monetário; capitalismo. Tantos outros são os casos, uns mais, outros menos impressionantes que permitimos que aconteçam. Nem vale a pena sequer falar do valor desta falsa democracia onde a única diferença política entre isto e o fascimo pelo que Portugal já passou é que agora podemos escolher quem é que queremos que nos prenda pelos braços e pelos pés e nos lance à vida. De que fazemos valer a luta dos nossos antepassados pelo fim do fascismo quando desde então as nossas escolhas caem apenas sobre dois partidos (mais um de vez em quando) que já deram provas de não serem capazes de resolver as questões fundamentais das pessoas do seu país. Não faço nenhum ataque pessoal a nenhum desses partidos porque não acredito que a culpa seja dos políticos que, como qualquer pessoa actualmente neste tipo de sociedade, tenta ter o melhor sucesso possível, mas culpo a ignorância das pessoas, a opção que tomamos de nos  fingirmos (ou sermos mesmo) cegos a estas questões e, mais importante ainda, de não procurarmos soluções. Para que quisemos a democracia afinal? Não acredito na política e por isso a minha solução neste campo passa, mais uma vez, pela solução que me parece mais simples: deixem os arquitectos e engenheiros decidirem que tipo de construções são melhores, mais funcionais e em que sítios devem ser feitas para poderem estar disponíveis nas melhores condições sustentáveis para toda a população. Deixem os agricultores decidirem a melhor forma de nos organizarmos para que haja alimento disponível para toda a população. Dêem espaço para que todos possam sugerir novos modelos, novas fórmulas que lhes pareçam possíveis. Deixem de fazer da comunicação social, da televisão, um latrina cheia de merda e dêem-lhe conteúdo, dêem razões às pessoas para pensar. A televisão neste momento é composta 70% de programas de entretenimento, 20% de programa de informação inútil ou falaciosa, 8% de arte audiovisual e 2% de informação útil. Todos aspiram a ter um programa na televisão, mas depois notam que não têm tema para encher todo o tempo de programa que têm de fazer. Então em todos os programas “enche-se chouriço”, fala-se do que não é importante porque o importante é ter um programa e aparecer na televisão para as pessoas se venderem como marcas, em vez de a televisão ser um espaço aberto para que cada pessoa possa mostrar um trabalho que tenha feito, ou algo que queira partilhar e que seja de interesse comum a uma parte da população. Mais uma vez, a comunicação social (cujo papel, a meu ver, está muito àquem daquele que deveria ser) e a televisão falham por causa do sistema em que estão inseridos. Porque é mais lucrativo, vai dar mais audiências ter uma figura conhecida a apresentar um programa sem valor, do que um completo desconhecido a apresentar um programa de conteúdo interessante, porque esse vai ser passado às 4 da manhã num canal a pagar. Então há que agradecer muito ao sistema educativo e à comunicação social pela ignorância das pessoas.

Tudo o que foi escrito aqui é utópico. É utópico enquanto vivermos num sistema que não pomos em causa, é utópico enquanto andarmos de olhos fechados e é utópico enquanto não existir uma revolução interior nas pessoas e é utópico enquanto não percebermos que aquilo que conhecemos não é, afinal, a única solução possível, nem sequer a melhor.
Aos que me chamam utópico, gostava ainda que percebessem que nada do que eu escrevi poderá ser feito do dia para a noite. Aliás, nada acontecerá enquanto nós próprios não tivermos consciência das vidas que temos e optarmos, nós, por mudar primeiro a nós próprios e depois a sociedade.
Pode ser este texto o ponto de arranque para essa introspecção, terá servido de alguma coisa se estas linhas ajudarem alguém a entrar num estado reflexivo, seja qual for a conclusão a que chegue; nem me importa, sequer, que essa reflexão termine numa conclusão diferente da minha, se for esse o caso tanto melhor – assim em vez de haver só uma solução passarão a haver duas.


Hugo Pinto
25-01-2012

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

isto digo eu!

Os centros de explicações são a prova de que o nosso sistema educativo falha. Porque têm todos medo da mudança?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Isto das pessoas

Dos meus incontáveis defeitos, dizem-me a mim, que um deles é não saber avaliar as pessoas. E que por isso sou fácil alguém de se enganar, muito propício a magoar-me por excesso de confiança.
Disseram-me isto, imaginem lá!
É verdade, é verdade que sim, que dou toda a gente como perfeita até elas me fazerem algo que eu consiga provar como errado. Até lá podem mentir-me e fazerem tudo para eu acreditar que são perfeitas, que eu acredito. É a tal ingenuidade.

Mas apontarem-me isso como um defeito... será mesmo um defeito?
Será que as pessoas foram feitas para serem avaliadas? Ou foram feitas para serem...vividas? Eu gosto de viver as pessoas. Gosto de dar tudo o que posso a alguém que considero amigo, porquê partir do princípio que, mais cedo ou mais tarde, essa pessoa poderá vir a demonstrar-se o completo oposto? Não será absurdo vivermos nesse constante medo?
Toda a gente vive, consciente ou inconscientemente, a categorizar as outras pessoas. A analisar, a julgar, a rotular, a arrumar cada um na prateleira do tipo de pessoas que achamos que este ou aquele é. Isso não é completamente...preverso? Não é um método altamente falível? Tal como a minha "não-avaliação", ambos os métodos são altamente falíveis. Então porque não darmos oportunidades às pessoas de mostrarem quem realmente são, em vez de terem de ser aquilo que nós queremos que elas sejam?
Eu vivo as pessoas até ao limite, e apaixono-me por elas. Sou um constante apaixonado por aqueles a quem chamo amigo, e por isso magoo-me tanto quando um suposto "amigo" me atraiçoa. Mas isso é condição da vida. Desde que nascemos que estamos "condenados" a apaixonar-nos, a amar, a ser atraiçoados...
Eu vivo tendo consciência disso, mas não me cabe na cabeça olhar para um amigo a pensar que um dia mais tarde poderá vir a trair-me. E quando o faz...choro, sofro, castigo-me, porque na verdade perder um amigo é perder um grande amor. Mas tal como acontece com os grandes amores, há sempre duas hipóteses: ou tentar perceber o que se passou de errado e perdoar, ou virar a página. Sem julgar. Sem fazer suposições. Sem ir pelo que se ouviu dizer. Saber por si próprio.

Olá, eu sou o Hugo e vivo as pessoas ao máximo. E só assim faz sentido para mim.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

a Revolução

"A Revolução dá-se em duas etapas distintas: a Revolução interior e a Revolução social, sendo a primeira a mais difícil. E por isso não podemos pensar na segunda enquanto as pessoas não se decidirem a informar, a pesquisar, a instruir-se. Não falo de instrução nas estruturas escolares, não é disso que se trata. Mas sim de instrução de espírito, da distinção do bem e do mal, do certo e do errado. Do que está verdadeiramente certo e errado, não aquilo que nos impingem, não daquilo que somos forçados a acreditar sem darmos por isso.
Gostava de acreditar que a verdadeira Revolução se daria enquanto sou vivo, mas cabe a mim saber convictamente que até o primeiro passo levará anos a concretizar-se.
O Mundo está preparado para a Revolução, sempre esteve. As Pessoas não."

o Tempo

"O Tempo não pára nem avança, tudo o que nos induz é a sensação de estarmos com quem gostamos. E por isso não existe tempo ganho nem tempo perdido. Apenas tempo vivido."

sábado, 25 de setembro de 2010

Ambições

“Quando era pequeno, a minha maior ambição era fazer todo o mundo feliz.
Entretanto cresci, e vi quão irreal era esse meu sonho. Então decidi que seria minha ambição fazer felizes as pessoas em meu redor.
Voltei a crescer, e apercebi-me de que existem pessoas que não foram feitas para serem felizes.
Então decidi que seria minha ambição ser feliz, e esperar que toda a gente no mundo tivesse essa mesma ambição.
E assim o meu primeiro sonho seria real.”

domingo, 19 de setembro de 2010

Problemas de tamanho

"Até perceberes que eu não sou melhor do que tu, não deixarás de ter esse complexo de inferioridade. O problema não é eu ser grande, é tu sentires-te pequeno."

sábado, 18 de setembro de 2010

Desilusões

As pessoas habituaram-se a dizerem aquilo que ouvem e não a pensar sobre isso e tentar perceber o seu significado, e se faz sentido ou não.
Mil vezes leio em blogues a expressão “desiludiste-me tanto!”, isto geralmente acompanhado de um texto rancoroso cheio de justificações e entrelinhas.

Eu, pessoalmente, sou alguém que não se importa de desiludir outras pessoas.
“Mas que grande besta me saíste, Hugo Pinto!” – pensam vocês.
Nem por isso. Se pensarem um bocado, se estudarem a palavra, perceberão que desiludir é precisamente o contrário de iludir, e se alguém diz que desiludo, então quer dizer que não iludo…e isso não é bom?
Há pessoas que iludem, essas são as que estão mal, as pessoas que Desiludem são aquelas que retiram a ilusão das pessoas e mostram a realidade. Não é esse o objectivo?
Assim sendo, não sou eu uma pessoa que tento desiludir as outras ao máximo? Sou.
E isso é bom.



Querem boa música portuguesa não é? Já têm saudades?
Está bem, o Hugo dá...

O primeiro dia - Sérgio Godinho


A princípio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida:
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
Diz-se do Passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida:
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se e come-se e alguém diz “bom proveito”
E vem-nos à memória uma frase batida:
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se p’ra dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso por curto que seja
Apagam-se dúvidas num bar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida:
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida:
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
Outra maré cheia virada maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
Vem-nos à memória uma frase batida…

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O discurso de Glória de Matos

Quem me conhece sabe que protejo as artes, que adoro o teatro que respeito os actores (principalmente os de teatro).
Não faria esta introdução se não soubesse que há pessoas imbecis que interpretariam mal as minhas próximas palavras. Feito isto, espero que agora haja menos (mas ainda haverão algumas de certeza!).
Não vi a cerimónia inteira dos globos de ouro, vi a entrega dos prémios de teatro, apanhei a homenagem ao grande Raul Solnado e a atribuição do prémio mérito a Artur Agostinho (que merece inteiramente este reconhecimento). Como referia, assisti à atribuição dos prémios nas diversas categorias de teatro, uma delas apresentada pela senhora Glória de Matos, uma senhora antiga do teatro em Portugal. E é sobre isto que quero falar.
O que a senhora disse é inteiramente verdade, disso não há dúvidas, mas o que me faz comichão é esta coisa que as pessoas antigas do teatro fazem. Para quem não me percebe, do que falo é desta imagem que as pessoas antigas do teatro deixam das pessoas ligadas ao teatro: Esta ânsia por se defenderem, criticando tudo e todos numa cerimónia festiva, atirando ao ar bocas para colegas de profissão, e isto é feio. Mais uma vez, a senhora tem razão no que disse. Mas há alturas para o dizer, e há alturas em que mais vale estar calada e em vez de dizer mal, alinhar no espírito do local onde se está e guardar esse comentário para alturas mais adequadas.
Toda esta posição que esta senhora defendeu faz-me um bocado lembrar as pessoas baixinhas ou gordas (sim, eu encaixo as pessoas baixinhas e gordas no mesmo saco, ao mesmo tempo que encaixo as pessoas altas e magras noutro. No caso das pessoas baixas e gordas, conseguem duas coisas más num só ser, enquanto que no caso das pessoas altas e magras conseguem duas virtudes num só corpo. E eu, no alto do meu metro e oitenta e nove com os meus setenta quilos riu-me dos outros. Ahahah!). Como eu estava a dizer, a posição da senhora faz-me lembrar a posição das pessoas baixinhas que, para se sobressaírem no meio de pessoas altas começam a dizer mal dos grandes para os atirar abaixo, de forma a que a sua baixa estatura não se note tanto.
Eu não vou para as festas de anos dizer que os outros convidados são feios, que são ignorantes, que se vestem mal e que têm um penteado ridículo.
O teatro é uma arte que em Portugal, infelizmente, está estancada pelo espírito do consumo rápido, onde se vê o que nos metem à frente dos olhos em vez de nos deslocarmos para ver o que realmente é bom. O teatro é uma arte nobre, subvalorizada, e que merece mais atenção.
As coisas podem ser ditas de várias maneiras, não é preciso ir cuspir para uma cerimónia. Com todo o respeito à senhora, pode arranjar um blogue e assim dizer o que bem apetece sem ter de dar justificações a ninguém, porque só a lê quem quer.
É o que eu faço, e assim ninguém me leva a sério, o que é bom.

Teatro é bom. Atitudes rancorosas são más. Quem tem atitudes rancorosas em nome do teatro, só faz com que as pessoas ligadas ao teatro fiquem mal vistas. E não é isso que queremos, pois não?

(Desculpem, mas odeio sentir que as pessoas desvalorizam o teatro, ainda mais pessoas ligadas a ele. Sei que não era esse o objectivo da senhora, mas esse complexo de inferioridade não fica bem a ninguém).
Teatro é bom, porque é, ponto final!

sábado, 10 de abril de 2010

O respeito, por onde anda esse sujeito?


O respeito não se ganha pela voz mais alta, pelo braço mais largo ou pelo nariz mais empinado.
O respeito não se ganha pelo número de discussões, o número de conflitos, o número de vezes que se manda uma pessoa abaixo.
O respeito ganha-se pelo número de vezes que se ajuda uma pessoa a levantar-se, pelo poder de perdoar, pelo poder de pedir desculpa.
O respeito não se ganha pelo silêncio ou pela indiferença.
O respeito ganha-se pela protecção e pela diferença.
O respeito não se ganha pela pessoa com mais orgulho, mas pela pessoa que consegue pô-lo de lado nas alturas cruciais.
O respeito não se ganha pela idade, mas sim pela maturidade.
O respeito não se ganha por quem se afasta mas sim por quem encara.

O respeito ganha-se por tudo isto e eu respeito quem o faça.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Couples

Nunca me habituei à ideia de ver um amigo meu e uma amiga minha, do mesmo grupo, a andarem. Se eu quando cheguei ao grupo eles já namoravam não me faz impressão, mas se esse namoro começou depois já me faz alguma. Não que eu não os goste de ver juntos, mas é que esse namoro posteriormente vai sempre, sempre (falo dos casos que aconteceram comigo, que vai numa percentagem de quase 100%...parabéns ao Ramalho e à Sara, o eterno casal)…como dizia, esse namoro vai sempre ter repercursões, na maioria dos casos negativa, no grupo. Ou porque os elementos do casal vão abdicar de alguns momentos em grupo para andarem aos beijos, apalpanços e brincadeirinhas irritantes de casal, ou porque vão abdicar de saídas em grupo porque “hoje vou tar com o/a X”, ou porque, quando acabam…o que acontece em 99% dos casos, o final do namoro tem um impacto no grupo completamente dispensável. Ilustrando: se um amigo de um determinado grupo meu tem uma namorada doutro lado qualquer, se ele abdicar das saídas de grupo será um a fazer falta e não dois, bem como se acabar com ela, não haverá divisões em grupos dentro do próprio grupo, o que, quando são dois elementos do mesmo grupo a namorarem e a acabar, acontece.

Com o passar do tempo tenho-me habituado ao facto de ver amigos do mesmo grupo apaixonarem-se, terem um namoro, a acabarem, a dividirem o grupo em dois (porque o fim destes namoros nunca é pacífico…como, de resto, deveria ser), e a raramente ver um desses elementos do grupo. Tenho-me habituado a isso mais por força das ocasiões, do que por realmente ter aberto a mente para esse factor. Se há coisa que detesto que mexam é nos meus grupos de amigos…e quando digo mexer entenda-se “separar”.
Eu e a minha namorada faziamos parte do mesmo grupo. Apaixonámo-nos e namoramos. Nunca ninguém do meu grupo ao qual ambos pertencemos me ouviu dizer “Hoje não dá para sair, vou estar com a Ana”, ou me viu a abdicar de um momento de grupo para ter um momento de casal, ou me viu demorar mais de 5 segundos num beijo de despedida (beijos esses que, com outros casais, demoram em média 5 minutos). No entanto, sou um namorado muito feliz, ela, pelo que sei, é uma namorada muito feliz, temos uma vida social bastante boa e somos um casal excelente. Custa assim tanto um casal perceber que há momentos para tudo?

Uma outra coisa é o mais irritante que um espectador de fora pode assistir dentro de um casal: uma senama namoram, noutra não. Recuso-me a acreditar na durabilidade de um casal com estas propriedades, bem como na felicidade do mesmo. Se um casal com estas propriedades me diz “nós somos assim e já andamos há 3 anos”, sinto pena. O amor é uma certeza. É um sentimento certo, absoluto, e, por mais difícil que seja imaginar, concreto. Não é algo que nos faça dizer “acabou” numa semana, e noutra, e noutra. Ao longo do tempo existem dúvidas, claro…mas por isso é que são um casal, dois! Para falarem, para debaterem, para se adaptarem um ao outro, para conversarem. Falta tanta comunicação entre os casais hoje em dia, a sério.
Detesto elementos de casais que arranjam motivos para discussão a cada 5 minutos. Casais que não conseguem passar um dia inteiro juntos sem terem uma discussão, ou um amuo, ou outra coisa qualquer do género. Para além de irritante para que está ao lado do casal, é também desgastante para um dos elementos que tende a ser mais “boa onda”.
Como disse acima, o amor é uma coisa certa, uma certeza absoluta, e só assim pode ser vivido na sua plenitude, e feliz!

Por favor, amem-se a sério…sejam felizes!

Este texto é para duas amigas minhas, para ver se metem juízo nestas cabeças.
Adoro-vos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

...e companhia

Amigos são aqueles que estão sempre lá quando precisamos, que nos ensinam algo de novo, que nos fazem pensar, que puxam por nós e nos obrigam a criar uma personalidade própria.
Dos muitos amigos que tenho, os que mais recentemente têm preenchido estes requisitos são os livros que tenho devorado. Estão sempre lá, na minha mesa-de-cabeceira, quando preciso deles, o teor deles é sempre informativo para além de recreativo, fazem-me pensar em questões que estão presentes no nosso dia-a-dia mas que nem sempre damos conta da sua presença, fazem-me fundamentar a minha opinião nos mais diversos assuntos.
Sinto que desde o fim do ano passado tenho crescido bastante e aprendendo coisas que estão para além da compreensão de pessoas da minha idade. Sempre fui uma pessoa infantil, ou pelo menos sempre o tentem demonstrar ser, mas no meu interior sei que estou à frente de muitas pessoas que fui deixando pelo caminho. Não se trata de arrogância, trata-se da humildade de nunca o ter demonstrado. Existem pessoas que tentam puxar o meu pior lado, fazendo com que a vontade de descer ao nível delas se adense, pessoas que me chamam infantil ou imaturo. No final, a minha verdadeira sabedoria revela-se nos momentos mais oportunos, com as pessoas que acreditam e puxam por mim. Sinto orgulho quanto oiço o meu sogro, uma das pessoas que mais tenho em consideração, bem como o meu “primo Carlos”, dizerem coisas do género “o miúdo é inteligente”, quando o Victor e o Luís, dois mestres das artes diziam que ignorante eram as pessoas que me chamavam isso, quando oiço o meu amigo Ricardo dizer “com a cultura do Pinto não se brinca”, quando a minha grande amiga Carla escrevia “a personalidade do Hugo encaixa na teoria da cebola, que é camada após camada e sentimos que nunca chegamos ao fim”, quando oiço a minha namorada, uma das pessoas com mais personalidade que conheço, dizer que me ama.
Estas são as pessoas que eu tenho em maior estima, e é a opinião destas pessoas que realmente conta. Pessoas que estão à frente da maioria das restantes e que sabem, ou souberam, dar valor ao que sou.
Voltando aos livros, a leitura de livros informativos é aconselhada a todos. Escolham um livro pelo seu teor e veracidade, não por ter uma mama na capa ou por ter um nome apelativo.
Saudações!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Teoria das 6 horas

Há dias em que sentimos que nos sobram horas, em que apenas desejamos que essas horas de tédio passem rápido e a noite caia depressa anunciando o novo dia que se aproxima. Existem ainda outros dias, que foi o caso do dia de ontem, em que sentimos que nos faltam horas. Daí surge a teoria das 6 horas, que afirma justamente que há dias que deviam ter 18 horas, enquanto outros deviam ter 30. Ontem tive de me deitar porque já passavam das 8 horas da manhã e, ainda não tendo a mínima ponta de sono, tive de pensar que deitar às 8 da manhã não é vida para ninguém e assim recolher-me.
Para mim, as altas horas da noite (04:00, 05:00, 06:00, 07:00), ou da manhã, como preferirem, fazem surgir em mim uma inspiração sobrenatural, seja para artes ou letras, seja para fazer os melhores desenhos que já fiz, ler uma quantidade de capítulos infindável, criar padrões, textos, escrever, filosofar ou o que quer que seja. Ontem deitei-me às oito da manhã com a cabeça a mil, sentindo que me faltavam essas seis horas. Como a minha cabeça não tem uma capacidade de memória muito ampla e visto que estava a ter uma das epifanias criativas mais significativas da minha vida, tive de pegar num papel e numa caneta que estão sempre na gaveta da minha mesa-de-cabeceira, não me vá dar algo na cabeça como me deu ontem, e começar a colocar item por item o que tinha de escrever, o que tinha de fazer, o que tinha de pensar e investigar no dia seguinte.
Ontem tive a noite mais criativa da minha vida. O que é que isso vos interessa? Sei lá, vocês é que vieram ao meu blog…

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Special delivery

Quando sentires que te tens de entregar, entrega-te de alma e coração. Não te entregues pela metade, não deixes um pé de fora. Quando sentires o coração a bater depressa, corre para essa pessoa, agarra-a, não a deixes fugir. Não a deixes pensar, não a deixes agir, dá o primeiro passo. Faz o que sentes. Sê tu próprio. Vive o momento, respira a vida e ama.
Se um dia tudo acabar, sentir-te-ás de consciência limpa, porque deste tudo. Se acabou foi porque não te mereciam, porque não te percebiam, porque se vulneraram às limitações que foi entregue à espécie humana para distinguir os fortes dos fracos. Só quem dá tudo pode olhar para baixo. Só quem ama livremente pode perceber. Só assim poderás encontrar o verdadeiro amor, aquele que dá tudo por ti e não apenas metade. Sofrerás muito pelo caminho, mas no fim vale sempre a pena.

Minorias

Não preciso que me digas quem sou ou quem devo ser.
Não te apercebes que não és uma pessoa própria. Não consegues reconhecer os teus defeitos nem assumir os teus erros. Todas as tuas opiniões foram-te entregues por outras pessoas, nunca conseguiste formular um pensamento por ti própria, negar o óbvio, ser diferente. És um mar de superficialidade, um ser que se deixa levar pela maré, que age e pensa pela maioria. As minorias serão sempre mais fortes porque negam o óbvio, porque isto fá-las pensar sobre o assunto, ponderar todas as questões e, no fim, talvez acabem por perceber que o óbvio é, afinal, óbvio. Mas nesta altura o que era óbvio passou-lhes a fazer sentido, elas têm uma opinião formulada e conseguem perceber porque é que isso é óbvio. Tu não. Tu assumes pelo princípio que algo é óbvio e não procura saber porquê. Não tens opinião própria, dizes o que os outros dizem ou pensam sem saberes defender o teu ponto de vista.
Eu tenho para muitos um feitio complicado porque todas as minhas opiniões, quando dadas, são porque as ponderei. Por muito que não façam sentido, quando avaliadas fazem todo o sentido. Por isso não me percebes e julgas-me. Porque, tal como a maioria, quando vê algo que está mal, parte do princípio que isso é óbvio e não tenta perceber o porquê. Por isso apenas a minoria me percebe e me avalia justamente. Porque têm pensamentos próprios e tentam perceber a questão completa e não apenas o que aparenta ser. É com esses que me quero dar, com pessoas próprias. Não com pessoas que querem ser.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Rapsódia.

O autor do texto que se segue recusa-se a responder a toda e qualquer pergunta sobre o mesmo.


Portas atrás de portas atrás de portas. Abres uma, tens outra logo à frente à espera para ser aberta, um pouco perra devido ao tempo em que não é aberta. Segue-se outra e outra. O corredor entre portas vai aumentando de comprimento, até se tornar numa distância tão grande que a porta seguinte não passa de um ponto microscópico lá ao fundo. Quando pensam que é a última, há ainda outra, e outra, e outra. Ficam cansados, a cabeça diz-vos para pararem, que não vale a pena, que já é bastante bom ficarem por ali. Já abriram bastantes portas, de certeza que já não haverá muitas mais portas, não têm assim tanto a ganhar ou aprender com a abertura de apenas mais umas quantas.
Na verdade, o que não sabem é que faltam milhares de portas, milhares de corredores, milhares de quilómetros a percorrerem. Os corredores que acham intermináveis, são na verdade os mais curtos. Faltam muitas portas, vocês dizem que conhecem a casa, mas não fazem a menor ideia. Não fazem ideia que mal entraram na casa. Muitos desistem, outros acabam por chegar a uma porta que pura e simplesmente não abre. Perguntem-se porquê. Têm sido totalmente honestos desde que abriram a primeira porta?
Conheço uma pessoa que esteve tão perto das últimas portas, que chegou a conhecer aquela casa quase até ao fim. Não teve forças para continuar. Quanto mais portas abrem, mais querem abrir, mas chega a um ponto em que o corredor se torna num labirinto intransponível.
Muitos pensam que conhecem essa casa. Dizem que sabem o motivo de haver tantas portas. Dizem que sabem os segredos atrás da porta seguinte. Mas não fazem ideia.
Não fazem ideia, que cada minuto que estiveram dentro daquela casa, abrindo portas atrás de portas, tentado conhecê-la melhor, a própria casa foi-vos vigiando de perto. Percebendo cada pensamento, cada motivação. A casa conhece as vossas fraquezas porque vos viu falhar, e acreditem que ela sabe mais de vocês do que vocês dela.

Estou a resolver problemas do passado. De relações. A pedir desculpa a quem as devo e a perceber motivações que levaram este ou aquele a fazer isto ou aquilo. Tenho aprendido a pedir desculpas e a desculpar. Sei que tenho muito a aprender, mas cada caso resolvido faz-me sentir que amadureço e que aprendo com cada um que tinha deixado ficar para trás.
Há, porém, dois casos que me recuso a desculpar ou pedir desculpa. Um por pura recusa, outro por perspicácia. Sei que se entrar num conflito entre qualquer um dos dois, tenho argumentos válidos que, um a um, neutralizam qualquer outro que me lancem. Sei que tenho cartas na manga. Sei que posso humilhar as outras pessoas em qualquer um deles, se descer de nível.
Alguém se lembra deste texto?
Pois bem, voltamos ao mesmo.
Sei que ainda tenho duas questões para resolver até ao Natal.
Sei que há uma que não está nas minhas mãos resolvê-la, mas dava tudo para que estivesse resolvida.

Comprei uma cítara, ontem. Ia comprar uma prenda para o Luís, mas como não vi nada fofo acabei por gastar o dinheiro para mim…é mau? Vá, não me chamem nomes, é óbvio que o Luís vai ter a minha prendinha, mas estas coisas levam tempo a serem planeadas.
A cítara olhou para mim do alto das suas cordas e disse-me “Hugo…por favor…olha para mim, aqui tão sozinha a precisar que me toquem…” E eu comprei-a. É fofa!

Tenho um segredo. Quer dizer…tenho um segredo para partilhar convosco. Estou com…não é medo de medo…é…medo de não estar à altura. Vejo os dias passarem e o dia a aproximar-se e o caraças do Scrooge não me aparece. Sinto-me pressionado…por mim, mais ninguém. Estou com medo de falhar e a responsabilidade é grande.

Reparei que, este mês, estou com uma média de uma postagem por dia.
Está na altura de arranjar uma vida não está?

Finito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Divagar

As pessoas partem e deixam-nos a pensar nelas e no que de bom nos deram e ensinaram. Deixam-nos as melhores recordações e os desejos que incutiram em nós, e partem para o nada, onde nunca mais se lembrarão de nós nem chorarão a nossa falta, como nós a delas. Hoje apercebi-me que a morte alheia é o maior egoísmo de todos. Apercebi-me de que quem parte é egoísta. Egoísta por ir para um sítio melhor do que o que nós vivemos, onde nada sofre nem teme, assim, de um momento para o outro, e tudo o que nos deixa é o sentimento de perda e culpa por nunca termos sido suficientes para elas enquanto vivas.
Choramos e buscamos respostas que não temos e ninguém nos sabe dar. Sentimos um vazio tão grande como se tivessem levado um pouco de nós com elas. Tudo o que nos deixam são lágrimas, e mesmo para os mais insensíveis ou valentes, o máximo que conseguem é um sorriso, que por maior que seja não deixa de ser triste.
Gostava que as pessoas nunca morressem, ou, se o tivessem mesmo de o fazer, que apagassem a sua existência na vida dos que ficaram. Que, quando chegasse a sua vez, premissem um qualquer interruptor que apagasse as recordações e nos deixasse viver como se nunca as tivéssemos conhecido.
Às vezes acredito mesmo na ignorância feliz.
Não acho justo, mas o correcto seria as pessoas fazerem-nos felizes enquanto vivas, e nos fizessem esquecê-las quando partissem.
As recordações que ficam são sempre as melhores, bem sei, mas só nos farão sentir mais a sua falta.


…Não sei se é isto que realmente penso, mas foi isto que os meus dedos hoje escreveram.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Intrigas

Existem algumas criaturas que me chamam intriguista. Digo criaturas não no mau sentido, simplesmente porque me apeteceu. E não é só uma criatura, assim de repente consigo contar pelo menos três. Mas haverão com certeza muitas mais.
É verdade que eu neste momento tenho uma vida bastante desocupada, e encontro algum entretenimento em criar intrigas, é como se fosse um passatempo. É giro, não custa nada e até puxa pela imaginação e criatividade.
Este parágrafo acima é o que essas pessoas pensam de mim. O parágrafo abaixo é o que eu penso delas.
Atenção, criaturas de Deus:
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque esse alguém discorda do nosso ponto de vista;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque ele não é conformista e deixa-se ficar com tudo o que lhe dizem;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque é uma palavra que está na moda e nem o significado dela sabem;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque defende quem não está lá para se defender;
Não se deve chamar intriguista alguém só porque exige um pedido de desculpas quando alguém o ofende;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque esse alguém não vos deixa superiorizar-se perante ele;
Não se deve chamar intriguista a alguém só para atirar as culpas para cima dele, culpas essas que são nossas;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque ele não aceita (mas respeita) uma opinião;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque ele não aceita o banal;
Não se deve chamar intriguista a alguém só porque vocês são uns encalhados que estão habituados a que toda a gente vos faça a vontade de cabeça baixa, sem vos olhar nos olhos e enfrentar.

Estes são os dez mandamentos desse nome tão em voga que é “intriga”. Intriga começa quando não se respeita algo ou alguém, e daí estou de consciência limpa. Quando se parte para os nomes ofensivos, e daí estou de consciência limpa.
Parem de chamar intriguista ou conflituoso só porque é uma palavra gira e tentem ver o verdadeiro sentido da palavra, e se não acabam mesmo por serem vocês a sê-lo.
Posso não aceitar ou perceber muitas coisas, mas respeito. E acho engraçado ver algumas pessoas a falarem e escrever sobre este valor e depois não o usarem no dia-a-dia.
Respeitem opiniões e decisões. Respeitem o inteligente e o burro, o culto e o inculto, o velho e o novo, o rico e o pobre.
Podem não compreender, mas respeitem.


A essas pessoas apetece-me dizer muita coisa, mas era dar-lhes a importância que perderam.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Pintar paredes dá que pensar.

Aquela parede era branca. Como quando nascemos e somos aqueles seres tão simples, tão puros, tão ingénuos.
Quis pintá-la, como somos pintados pelas pessoas com quem nos damos enquanto crescemos. Ela veio-me ajudar a pintá-la, apareceu a meio da pintura e começou a dar-lhe forma…que é como quem diz cor. No meio da parede pintámos algo que não está genial, mas está lindo e é o melhor daquela parede. Uma salamandra, sem simbolismo nem significado, apenas uma salamandra. Volto a dizer, o melhor daquela parede. Pintado a dois, feito a dois. Algum tempo depois voltámos a olhar para aquela parede, já pintada e, apesar de seca, ainda com muitos defeitos que só a segunda demão taparia.
Não demos a segunda demão, decidimos que ficaria assim. Ficou uma parede mal pintada, com uma pintura para mim magnífica no centro.


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Quem percebeu na íntegra os duplos sentidos deste texto, feche agora a janela. Quem não percebeu, que leia a explicação abaixo para ficar esclarecido...não há problema!





Não queria explicar as metáforas deste texto, como nunca expliquei as de textos anteriores, como no texto de O quarto, e outras.Mas sinto-me na necessidade disso, para ser tão explícito como quero que seja.
Nós quando nascemos somos como aquela parede. Agora vou dar o meu exemplo.
Eu quando nasci era simples, puro, ingénuo. Branco, como aquela parede. Quando crescemos damo-nos com pessoas, crescemos numa sociedade que nos molda, que nos pinta de determinada maneira, quer queiramos, quer não, isso acontece. A meio da minha vida, mais ou menos, apareceu uma pessoa que me ajudou a crescer, a moldar-me, a pintar-me, a pintar aquela parede. E na minha vida, naquela parede, fez o melhor que tenho nela. Na vida. Na parede.
Como é óbvio, não sou perfeito. Tenho defeitos, tantos como aquela parede mal pintada.
Repararam que ela não me quis dar a segunda demão para ficar perfeito?
Obrigado por me amares como sou e por me dares o melhor da minha vida.

sábado, 11 de julho de 2009

Tese(...)

A confiança e o amor estão um para o outro como o borracho para o vinho. Sem um não há o outro, bem como sem o outro não faz sentido haver um.
Esta é uma realidade inevitável e à qual não se pode fugir, pelo menos não se deve, correndo o risco de nos assemelharmos bastante ao referido borracho e tropeçarmos em nós próprios.
Passados 19 anos depois de ter saído da quentinha e segura barriga da minha mãe, fui posto à prova. Fizeram-me amar. E fizeram-me, também, confiar. O problema do amor é que é um cínico do caraças! Obriga-nos a confiar, diz-nos que se não o fizermos somos más pessoas. O que se passa é que mal ele (o amor) acaba, leva a confiança com ele, leva aquilo que nos esforçámos tanto por criar, como se fosse dele próprio e não nosso. O amor é um sacaninha, a sério, é mesmo muito má pessoa.
Tenho dificuldades também em perceber porque é que se tem de confiar antes de amar. Não se pode simplesmente amar e a confiança vir com isso? Claro que não. Mas porquê? Porque nós, seres humanos, não aceitamos bem, ou melhor, nada bem, ouvir um “não confio em ti” da pessoa de quem estamos predispostos a amar. E isso faz-nos ficar com um pé atrás, ficar com medo, perder as certezas de amar aquela pessoa e, com isso, vir a desconfiança. E aqui temos de recomeçar tudo de novo, se é que ainda é possível haver maneira de recomeçar.
Isto faz-me muitas vezes pensar se é mais difícil amar ou confiar. Ou se acabam ambas por ser duas maneiras de se dizer a mesma coisa. Isto porque, pessoalmente, se eu digo “amo-te” a alguém, sinto que estou também a dizer que confio naquela pessoa, bem como só confio em quem amo. E farto-me de amar! Da forma mais ingénua e pura e simples possível, o que é lindo. Sinceramente bonito.


Tudo isto para dizer o quê?
Não me peças para te amar se não me dás motivos para confiar em ti.
Não me peças para confiar em ti se não me deixas amar-te.



Pequena nota:
Amor é um sentimento que foi completamente corrompido pela sociedade.
Completamente.
Quando falo em amor falo no melhor sentimento do mundo, e isso tanto posso sentir por uma namorada como por um amigo, da mesma maneira. Amar passa pelo conhecimento um do outro, semeando um sentimento progressivo em que não se dá pelo momento em que essa semente cria o primeiro vestígio de planta. Apenas se dá por ele quando a planta já está crescida. E aí o que é que fazemos? Tratamos dela como deve de ser.
Ponto final.