sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

F. Pessoa

Não é recente a minha rejeição às coisas que me são impostas a fazer sem outra justificação que não seja “é assim que as coisas são”.

E por isso quando, no secundário, me obrigaram a ler Fernando Pessoa porque “é assim que as coisas são”, simplesmente não o fiz. Acabei por passar de ano e acabar o secundário sem nunca abrir a Mensagem ou sem saber mais sobre o Fernando Pessoa do que o facto de ter uns quantos heterónimos.
Desde que acabei o secundário que tenho sido autodidata em questões filosóficas e humanas, fazendo investigações por interesse meu e não por obrigação ou porque “é assim que as coisas são”. Esse meu trajecto de investigação e de aprofundamento intelectual levou-me, inevitavelmente e sem que eu o prevesse ou sequer pensasse, à figura de Fernando Pessoa.
Nunca me tinha surgido o interesse nesta figura, a poesia não é certamente a minha forma de leitura preferida. No entanto, tornando-me eu “aluno” do génio de Agostinho da Silva (que, por sua vez, era “aluno” do génio de Pessoa), vi-me lentamente aproximar do poeta.
Assim, num dos meus passeios pela Bertrand, cruzei-me com um pequeno livro que tinha um artigo escrito pelo Fernando Pessoa, descrevendo as classes intelectuais dos portugueses.
Este foi o ponto de partida, senti que naquele livro (escrito em prosa e não em poesia) estava escrito algumas das questões que eu já tinha levantado através de reflexão própria, mas explicadas e devidamente argumentadas pelo génio (e que génio era!) do Fernando Pessoa.
Esse, como disse, foi o ponto de partida.

A continuação passou-se de forma tão imprevista como a introdução ao génio de Pessoa: Da primeira vez aconteceu eu tropeçar no tal livro “O caso mental português” na Bertrand. Desta vez, calhou tropeçar novamente em Pessoa na Fnac. Procurava eu um livro de bolso qualquer, de preferência de contos, quando vejo um livro fininho (e, presumivelmente, barato) de título “A maçonaria”. Já tive mais interesse nesta questão, por isso não tinha pegado no livro se não lesse o seu autor “Fernando Pessoa”. Fernando Pessoa? Maçonaria? Seria ele maçon?
Comprei o livro por 4 euros e pouco, e li-o em 30 minutos. Pelos vistos, Pessoa não era maçon mas tinha uma opinião muito própria sobre a maçonaria não fosse ele (segundo diz) uma das pessoas fora da maçonaria que a conhece melhor. Aquele livro (que originalmente tratava-se de um artigo num jornal da época), não me serviu para conhecer melhor ou pior a maçonaria, mas serviu-me para comprovar que o Fernando Pessoa era, de facto, uma pessoa de génio, com um poder de reflexão e argumentação que, parece-me, não há outro igual actualmente, pelo menos que seja do meu conhecimento.

Mais importante do que tudo isso, estes dois livros deram-me duas prespectivas diferentes:
Primeiro, tive orgulho em apaixonar-me por Pessoa não por obrigação, mas por natural percurso “intelectual” que estou a tentar fazer. Em segundo lugar, descobri que Pessoa é muito mais do que poesia. Que os seus artigos e textos em prosa são aqueles onde melhor e mais profundamente conhecemos a opinião social e intelectual dele.

E então, um dia, na mesma prateleira da Fnac, encontro um livro chamado “O banqueiro Anarquista”, de Fernando Pessoa. Comprei-o, não fosse ele 5 euros e qualquer coisa. Se foi um livro que mudou a minha vida? É bem capaz de ter sido e eu é que ainda não me apercebi. Sem dúvida que me ajudou a solidificar a minha opinião acerca do anarquismo, mas mais importante que isso, para mim, é como um livro tão forte, tão inteligente e cheio de conteúdo se torna desconhecido sendo ele de um dos maiores autores do século XX.
Tudo isto para dizer duas coisas:
Com este meu caso, comprovado está que o sistema educativo é deficiente e ineficaz, este sistema que desperta o cumprimento de ordens em vez da paixão pelas coisas. Odiei pensar em Pessoa enquanto fui obrigado a fazê-lo, mas logo me apaixonei assim que descobri a sua personalidade por interesse meu.
A segunda coisa é que Fernando Pessoa, muito mais do que um grande poeta, era um grande intelectual no verdadeiro sentido da palavra. Não era um pseudo-intelectual como muitos da altura e todos da actualidade. Para mim o mais importante em Fernando Pessoa não foram os poemas, mas sim a complexidade intelectual que manifestava nos artigos que escrevia.
E por último, segundo o meu mestre Agostinho da Silva, o maior poema de Pessoa não foi qualquer coisa que ele tivesse escrito, mas a própria vida. Viveu como poeta, cumprindo-se, não importando se comia ou bebia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mensagem aos Portugueses

”O que quero de todos os Portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem de dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou carimbo de ninguém.”

Agostinho da Silva

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ensaio sobre o sistema monetário e consequências



Para mim é incompreensível e absurdo a apelidação de “super potências” ou “países desenvolvidos” a nações onde vivem pessoas sem tecto ou sem comida, nações que incitam a guerra ou que, mais simples ainda, condicionem as suas pessoas (não uso o conceito de cidadão porque esse implica que hajam cidadãos “ilegais” e a meu ver é um absurdo que alguém chame a uma pessoa de “ilegal”) a um sistema tão corrupto e perverso na sua essência como é o sistema monetário.
Este sistema que tem tornado o absurdo normal, como o conceito de marcas e outros contribuidores para a desigualdade entre as pessoas. Disse Agostinho da Silva, meu mestre por simpatia, que “nascemos de graça e passamos o resto da vida a ganhá-la”.
O absurdo volta a ser normal quando a única solução para a vida é vendermo-nos como prostitutas (que não condeno, apenas uso o termo para mais fácil compreensão do raciocínio) ao Estado, desperdiçando o nosso tempo num trabalho que a maior parte das vezes não gostamos, para podermos sobreviver. Enquanto houver dinheiro a circular vai ser assim, o sistema monetário cria a desigualdade e esta escravatura moderna tão naturalmente como o fascismo cria censura e ignorância.
Sei que estou a comparar o sistema monetário a uma coisa diferente que é um sistema político. Acontece que ainda existem poucas alternativas credíveis ao sistema monetário e mesmo essas poucas são omitidas por interesses dos que dominam e consequentemente ignoradas pelo “cidadão comum”.
Voltando ao absurdo, os meios de comunicação social têm feito um trabalho excelente na propagação da ignorância das pessoas, no encobrimento das questões essenciais e das alternativas a este modo de viver que todos sentimos que é errado, mas que nada ou tão pouco conseguimos fazer para alterar.
Cresci em Portugal, um país que comemora anualmente o dia da liberdade. Este dia é celebrado no dia em que houve um golpe militar que pôs fim a um regime totalitário de mais de quarenta anos. Depois deste golpe, os portugueses tiveram de volta alguns dos seus direitos humanos. A este retorno de direito chamaram-no de liberdade, e este nome é gritado por todos os meios de comunicação neste dia. Tinha piada (se não fosse tão sério) este fanatismo dos meios de comunicação por vomitarem “Liberdade!”, quando o que esse dia trouxe foi sim um reaver de direitos, mas ao mesmo tempo preparou também o país para um novo estado doente. Quanto à liberdade, no seu sentido literal, ainda não está cá. Não somos livres de viver num sítio diferente a cada dia, não somos livres de andar onde queremos, quando queremos, como queremos. Não somos livres de andar livremente em sítios que o nosso próprio dinheiro ajudou a pagar. Não somos livres de muita coisa, mas a ignorância desse facto, este acomodamento à vida que levamos deve-se em muito a estas duas doenças deste sistema monetário: A comunicação social e a educação. Atenção! Não digo que estes conceitos são doenças, digo apenas que a forma como eles são geridos dentro deste sistema é doentia.
A educação, que tão importante papel tem cumprido na estupidificação do ser humano, no infanticídio intelectual, na preocupação em criar um padrão homogéneo de crianças e adultos que são naturalmente diferentes e têm motivações diferentes uns dos outros.
Podemos continuar o exercício sector por sector, e no tempo que tenho dispensado a pensar neste assunto tudo me aponta que o erro, a falha realmente grave, o maior absurdo, o ponto realmente maquiavélico e a origem de todos estes males é o sistema monetário na sua essência.
Todas as ideologias políticas que se suportem nele são incrivelmente falíveis se tivermos em preocupação a igualdade real entre as pessoas. Enquanto houver dinheiro não irá haver igualdade. E sem igualdade não podemos ter esperança de ver o crime reduzido ou suprimido por completo da existência humana. Não sei se alguma vez o veremos.

Sei, decerto, uma coisa. Que se este nosso generoso e paciente planeta não se vingar definitivamente do que a nossa espécie lhe tem feito (ou caso o próprio Homem não se lembre de suprimir a sua própria raça), sei que de certeza num futuro, que pode não ser tão distante quanto isso, as crianças estarão um dia na escola a estudar o quão primitiva, perversa, e subdesenvolvida a nossa civilização era em termos humanos. E a essas crianças, quando mais tarde nesse dia estiverem com os pais, consigo vê-las perguntar “Porque é que eles demoraram tanto tempo a reparar nisso?”.


Hugo Pinto 11.10.2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Pesadelo Antes do Natal 2012



E de repente, eis que chega O Pesadelo Antes do Natal.
Eis que voltamos ao teatro.
Eis que voltamos a uma aventura.
Brevemente...
(seguir o link para ver a promo deste ano)

http://www.facebook.com/photo.php?v=10152139813340471

sábado, 1 de setembro de 2012

AMESTERDÃO II

E eis que, sem que ninguém o prevesse, em Novembro o casal maravilha vai pela segunda vez  a Amesterdão no ano de 2012.
Convidados especiais:
Sérgio Cruz,
Nuno Freire,
Diogo Alves,
André Caldeira

Já temos bilhetes, mas só acredito quando estiver no avião. Vai ser uma féta, algo me diz...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Avante (?)

Uxu Kalhus, Terrakota e Blasted Mechanism no mesmo dia.
As minhas 3 bandas portuguesas do momento. Não acreditando em coincidências, o Avante só pode ter planeado este dia 8 como minha prenda de aniversário.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Constância a umas horas de distância

E eis que chega um dos fins de semana mais aguardados do ano.

O ritual anual de ida para Constância contará pela primeira vez com a minha presença, depois de nos últimos 2 anos estar a fazer campos de férias nesta altura.

Este ano não estou, e a peregrinação para Constância começará por volta das 16:00.
Somos 30 pessoas, por isso acho que peregrinação é mesmo a palavra certa.

E aquela incerteza se irei sobreviver a este fim-de-semana...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Carta aos meus filhos

(nota: eu não sei falar, nem escrever, de amor)


Entretanto já se passaram muitos anos, muita coisa há-de ter mudado de certeza mas se escrevo hoje este texto é porque acredito que daqui a estes anos todos ainda vou estar com a vossa mãe.
A vossa mãe.
Este é o ano de 2012, 30/07/2012, vésperas do dia em que eu e ela, a vossa mãe, faremos três anos de namoro. Sei que vou ter oportunidades suficientes para vos falar de nós, de como nos conhecemos, de como somos hoje com 22 anos, de como sonhávamos ser no futuro, mas hoje a memória destes eventos é recente enquanto que quando tiver a felicidade de vos ver crescer e vos contar tudo isto a memória estará quase com certeza a preto e branco.
Conhecemo-nos pelo teatro, que só por si é romântico. Aspirantes a actores amadores, fizémos parte de um grupo de teatro do qual eu já fazia parte e a vossa mãe entrou no ano depois de mim.
A vossa mãe fez parte da amizade mais bonita que eu já tive, era a minha melhor amiga antes de eu dar conta disso, e foi também sem dar conta que a vossa mãe começou a aparecer nos meus sonhos.
Na altura eu tinha outra namorada, e nem soube o que pensar quando a vossa mãe começou a visitar-me em sonhos. O sorriso dela, o tom de pele, o cheiro, o toque, tudo isso era tão real em sonhos que deixei de saber distinguir sonho de realidade. Quando dei por mim, eu e a vossa mãe éramos um só. Éramos nós.
Éramos um para o outro, um com o outro, e foi num Verão, no palco de um teatro que já não há-de existir, o Gil Vicente, em Cascais, que pedi a vossa mãe em namoro. Os acasos da vida fizeram questão de tornar esse momento épico, por uma série de imprevistos que me fazem olhar para trás e pensar que só num sonho, só com ela podia acontecer.
Há muito mais para dizer de nós do que eu posso escrever numa série de linhas, mas hoje, ao fim de três anos, não há nada que me faça arrepender de me ter entregue à vossa mãe há muito mais do que três anos.
Não há cliché que caiba no quanto ela me fez crescer, o quanto eu sou feliz com ela, o quanto eu a quero fazer feliz. Sou feliz por tocar-lhe a pele macia enquanto a aperto num abraço que só ela sabe dar. Sou feliz por beijá-la na boca, no pescoço, no ombro… Sou feliz por dar-lhe a mão ou apenas por ouvir a voz dela do outro lado do telefone. Sou feliz por poder deitar-me ao lado dela na cama e desejar-lhe boa noite. Sou feliz por sentir que tudo o que sinto por ela é retribuído. Sou feliz por não duvidar dos sentimentos dela. Sou feliz por saber que ela vai ser sempre o meu apoio, aconteça o que acontecer.
A pessoa que eu tenho ao meu lado é aquela que enche os meus dias. Que enche cada momento de um amor que está para lá da vista, mas também para lá de qualquer dúvida.
Comunicamos até através do silêncio, e isto seria uma metáfora se não fosse verdade.
Ver a vossa mãe dormir, no seu mundo, apazigua-me a alma e faz-me sorrir.
A vossa mãe é simples, e gosta de coisas simples. A vossa mãe tem vida dentro dela, uma vida como nunca vi em nenhuma pessoa. A vossa mãe, tal como eu, não nascemos neste mundo, apenas fomos adoptados por ele. Pessoas como nós fazemos partes de universos que nenhum outro Homem consegue imaginar na sua cabeça. É isto que eu sinto. Que a nossa vida a dois é um mundo criado por nós, sem as barreiras que a realidade tende a construir. Por isso é um sonho.
Por isso a minha vida com a vossa mãe é um sonho, e vocês um sonho serão. E que dentro de vocês estejam os nossos sonhos, e que os vossos sonhos guiem as vossas vidas.

Amanhã faço três anos contigo, Ana, e no meu íntimo sei que isto é muito pouco para aquilo que quero e vou viver contigo.
Amo-te mais do que sei dizer.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

A moral anarquista

Leio “A moral anarquista”, de Piotr Kropotkine, o Príncipe anarquista, escrito em 1891.
Leio não por ser anarquista nem por o querer ser, apenas por interesse em conhecer sistemas que possam substituir este que conhecemos.
Há que ter cuidado em levar “A moral anarquista” à rua, o título em letras grandes amarelas atraem olhares ignorantes que o olham com desdém. Esses que temem a anarquia sem a conhecer, muito menos às suas vertentes.
Não sei se será pior os que a condenam sem a conhecer ou os que a defendem sem terem a mínima noção do que se trata.
Leio “A moral anarquista” porque acredito na abolição de um Estado, de uma autoridade, e porque acredito na responsabilidade individual; o livro pode ajudar-me a fundamentar esta opinião ou, por outro lado, a desacreditá-la.
O mais importante é informarmo-nos, aprendermos, lermos, saber o que são as coisas para depois termos uma opinião sobre ela.
Não somente rejeitá-la ou aceitá-la porque sim ou porque não, ou porque os outros dizem que sim ou que não.

Como diria Fernando Pessoa, esses fazem parte da classe mental do povo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

As classes mentais de Fernando Pessoa


A compra do dia foi dois em um.
A abrir, Fernando Pessoa reflecte sobre as "classes mentais", uma espécie de classes sociais mas de raciocínio em vez de posse. Encontrei alguns pontos comuns entre Fernando Pessoa e Agostinho da Silva nesta linha de pensamento que vou adoptando, e deixo aqui transcrições do início do livro para poder passar a mensagem:
(entenda-se que quando se fala em povo, burguesia e escol/elite, refere-se a camadas de mentalidades, não tendo a ver com os estatutos sociais)

"Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria «provincianismo». [...]
Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental - a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se degisna por escol, ou, traduzido para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas. Por natureza, forma o povo um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; e o pensamento é individual.
O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher - por ideias e não por instinto - entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. [...]
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias.
Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo da escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus - os que o levaram a aceitá-la - e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas."

Fernando Pessoa

Ciúmes e individualidade, por mim


O grande passo para a falta de ciúmes é tentar perceber o porquê de o sentirmos. Uns dizem ser falta de confiança, outros dizem ser medo de perder. Em qualquer um dos casos, antes de se falar em ciúmes, confiança, ou perda, há uma questão que deve ser esclarecida:
Cada um de nós, homem ou mulher, constrói e segue unicamente o seu caminho na vida. Desde o nosso dia de nascer ao dia de morrer, aquele caminho é exclusivamente nosso. O que acontece quando conhecemos alguém com quem temos vontade de passar o resto dos nossos dias com essa pessoa, é que escolhemos seguir o nosso caminho junto do dela. Isto, naturalmente, é diferente de seguirmos o mesmo caminho. Não é por namorar alguém que os dois caminhos se tornam num só e é aqui, na minha opinião, que surge o maior engano. Porque uma pessoa sente que por namorar com outra tem o direito de guiar o caminho dela, de aliviar as passadas, determinar o ritmo.
Nada disto se enquadra naquilo que creio como a individualidade, o dever de nos cumprirmos a nós próprios.
O que se deve é ser grato por alguém se decidir a seguir o seu caminho da vida perto do nosso, e aceitar com a mesma naturalidade quando a outra pessoa acredita que o seu caminho se deve fazer doutra forma.
Posto isto, a questão dos ciúmes perde importância e torna-se num ponto desinteressante, uma vez que aceitarmos que cada ser é individual por mais que o amemos.
O que sobra então? O que esperar do outro? Nunca esperar do outro aquilo que nós faríamos por ele, isso pode começar por prevenir algumas desilusões.
A única verdadeira chave para o amor é a confiança, mas a mentira continua a ser a sua maior opositora. Como a ultrapassar? Assim que é compreendida a questão da individualidade, posso dizer que se as atitudes que tomamos, o que sentimos, o que pensamos, tudo isso moldar o nosso próprio caminho, deixamos de ter de nos justificar perante o outro, o que significa que deixamos de ter de esconder o que quer que seja ao outro e a mentira torna-se desnecessária.
Para mim é nesta espécie de desprendimento que reside a confiança e, consequentemente o amor.
Como terminar os ciúmes? Desprendendo-nos, respeitando o caminho de cada um, aceitar a individualidade de cada um e, acima de tudo, encontrar a sua.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Blasted Mechanism - Alive Oeiras (2007)

Porque estou numa onda Blasted e porque hoje adorava ver um destes ao vivo.


domingo, 8 de julho de 2012

Tocha 2012

Campo de férias Refer Tocha 2012
Vídeo da apresentação final dos Iron Kids, a equipa mais sexy do campo:
 Iron Kids:
Pedro,
Sofia,
Jaime,
Maria,
Tomás,
Mafalda,
Rui, Laura,
Duarte,
M. Malaquias,
Rita,
Daniel  

Grito (ritmo da música do Txu-txu-txá):
Somos crianças,
Somos de ferro,
Somos os Iron ki-ki-ki-kids,
ki-ki-ki-ki-ki-kids...
IRON KIDS!!!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vice-campeãs nacionais

Orgulho, felicidade, incredulidade, entre outros...

Este fim-de-semana disputou-se o campeonato nacional de futsal feminino em juniores. Com o segundo lugar garantido no campeonato distrital, ficando apenas os Leões de Porto Salvo à nossa frente, não éramos, de todo, favoritos à conquista do campeonato nacional, que reunia os campeões distritais do Algarve, Porto, Aveiro, Lisboa e Setúbal.
Conseguimos o primeiro lugar da fase de grupos, à frente do Fátima (2-2), Estrelas do Feijó (2-1) e Portimão (8-1).
A meia-final extremamente bem disputada contra os Restauradores (Porto) deu-nos a vitória no último minuto (1-0), levando-nos à final do Campeonato Nacional...precisamente contra os eternos rivais...Leões de Porto Salvo.

Chegar a uma final de um campeonato nacional com uma equipa que tinha como objectivo no início da época "evoluir e ficar nos 5 primeiros do campeonato regional"...enfim, é de um orgulho desmedido. Todo o espírito de equipa, o espírito de sacrifício, o golo da meia final em que a Brandão sai disparada do nosso meio campo, acaba por tropeçar e cair de joelhos, levanta-se, cruza a bola para a Sofia Jesus que faz o golo da vitória no último minuto....lembro-me de poucas alturas da minha vida em que senti uma explosão de alegria tão grande.

Tinhamos uma final para ganhar, e todos nós acreditámos que assim seria. Em 3 jogos para o campeonato contra o Porto Salvo, tinhamos perdido os 3, mas nunca fomos inferiores a eles. E no campeonato nacional foi mais do mesmo, e o resultado final foi construido assim:
Lombos 1 - Porto Salvo 0
Lombos 1 - Porto Salvo 1
Lombos 1 - Porto Salvo 2
Lombos 2 - Porto Salvo 2
Lombos 3 - Porto Salvo 2
Intervalo
Lombos 3 - Porto Salvo 3
Lombos 3 - Porto Salvo 4
Final.

Isto, com a Pires a defender com uma brilhante defesa um penalti ainda na primeira parte.

Ficámos em segundo lugar no Nacional, mas em mim existem poucas dúvidas de que somos a melhor equipa do país, e não apenas a segunda. Foi um fim-de-semana de emoções fortes, e apesar do primeiro lugar ter estado apenas 20 minutos das nossas mãos, sinto muito orgulho em todas elas.




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Hoje vai ser uma fééétaaa...

Hoje vai ser uma fééétaa...
Em honra ao Dr. Alves, o Opart lançou uma feta trance para comemorar o seu aniversário.
Desta forma, Hugo, o Pinto, regressa ao local da sua primeira féta. Uma noite de emoções fortes. Talvez chore. Talvez não.
 Até às quinhentas! Quando a noite acabar vamos acordar o sol!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sombras De Sintra


O meu primeiro argumento de curta-metragem, juntamente com o Shaun.

O talento para fazer qualquer coisa a que se proponha de um miudo que conheci há relativamente pouco tempo, Shaun Maia, a quem só posso agradecer por ter puxado por mim e me dado a oportunidade de escrever este  argumento que tem todo o significado de ser o meu primeiro.
E todos os que aparecem e não aparecem no filme, parabéns, superaram todos as minhas expectativas.

Gosto. Parabéns!

terça-feira, 15 de maio de 2012

"No caminho reparei que quanto mais lamechas era com aquelas que eram minhas namoradas, menos tempo durava a relação. Pode ser que um dia, meu amor, eu te deixe de beijar para poder ficar contigo para sempre."
hp

sábado, 12 de maio de 2012

Segue-se o nacional

Vice-campeãs distritais.
Campeonato nacional, cá vamos nós!
Um orgulho desmedido nestas miudas...força Lombos!

Num jogo tão importante como o de hoje onde só a vitória nos interessava, ganhar 1-5 na casa de um adversário directo pelo segundo lugar só demonstra que merecem o que alcançaram.

Obrigado!
1 - Daniel Pina
2 - Dolores Rainha
3 - Raquel Nunes
4 - Marta Matias
5 - Sofia Jesus
6 - Sofia Carvalhinhos
8 - Marta Brandão
9  - Raquel Esteves
10 - Mariana Antunes
11 - Margarida Brandão
12 - Inês Pires
14 - Carolina Lopes
16 - Marta Coelho

Tenho sorte em pertencer a uma equipa com raparigas tão inteligentes, tão bonitas e tão boa-onda.
Elas não fazem ideia que eu tenho um blog, mas Hugo do futuro, lembra-te desta equipa e destas miúdas...foram elas que animaram muitos dias em que estavas em baixo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

valor

"Talvez no dia em que as pessoas souberem tudo o que não sabem se dê menos valor àqueles que se gabam e mais àqueles de quem nunca esperámos nada."

HP

Já te mostrei o meu armário?

No dia de reler textos antigos, fica aqui que nunca foi partilhado, escrito algures entre os 18 e os 20 anos. Sobre os meus monstros no armário.






Já te mostrei o meu armário?

O meu quarto é agradável, tem vida, uma parede pintada com uma salamandra gigante contornada, tem uma risca numa outra parede com uma frase para me animar sempre que acordo. Sobre a mesa-de-cabeceira tem livros, que ando a ler e que já li, e que os mantenho lá porque gostei deles. A secretária está desarrumada, tem o candeeiro que tem de ter, tem dicionários, CD’s, rascunhos de desenhos, incensos, o portátil onde deixo a minha imaginação fluir pela ponta dos dedos. Tenho uma varanda, digna de aluguer, onde passo os melhores almoços e as melhores noites de Verão. Nas prateleiras tenho livros e recordações. Tenho a minha paranóia por bugigangas, uma prateleira só para ela. Tenho a prateleira das caixas, dos Cd’s, e a dos momentos Zen. Tenho troféus na parede, instrumentos musicais, máscaras e potes gregos e prendas de amigos.
É cheio de vida, tem alma própria, tem uma razão de ser, tem a personalidade que deve de ter um quarto e está sempre aqui, para receber toda a gente.

Pelas frinchas de duas portas esconde-se um outro mundo. E essas duas portas estão sempre ali, a espiar o quarto, à beira da cama, à espera do momento apropriado para se abrirem e soltarem os monstros que encerram durante a maior parte do tempo.
Quando as abrires vão-te ser indiferentes. Vais encontrar roupa, vais procurar as camisas mais ridículas e a gaveta da minha roupa interior para poderes atirar-me à cara aquela que me humilharia caso usasse. Vais ver as calças penduradas, os casacos ao canto, as t-shirts que dobro à maneira chinesa porque insisto que é a forma mais rápida de as dobrar. Vais ver tudo isso. Um armário igual a tantos outros.
O pior é quando sais do meu quarto. O pior é quando o deixas para trás e prossegues a tua vida, esquecendo-te deste quarto que te acolheu quando precisaste, e agora o abandonaste, e ele fica só. O pior é quando ele fica só.
Porque as portas desse armário vão abrir-se e o que sairá delas irá enegrecer a cor do resto do quarto. Vai pintar as paredes de cinzento, vai atirar fumo negro para o ar e as criaturas do armário apoderar-se-ão dele. E o quarto fica abandonado, à mercê dessas criaturas.

Já tas apresentei?
Nenhuma delas tem nome, porque são fruto da minha imaginação. A imaginação tem este poder de tornar real tudo o que quisermos, de nos fazer mal ou bem, de nos tocar até, mas continuamos a acreditar que é apenas imaginação e que por isso não vale a pena preocupar-nos demais com isso. Não vale a pena dar-lhes nomes. São minhas, as criaturas, eu conheço-as bem e não as trato pelo nome porque não o têm.
Todas elas são fruto da minha imaginação, mas são bem mais verdadeiras do que tudo aquilo que outras pessoas já me disseram. O que é que é real então? Elas ou eles? A palavra delas carregada de mentiras ou o riso deles que troce de mim?

Tomam conta do quarto, apoderam-se dele como se sempre tivessem estado lá, como se soubessem o local exacto de cada coisa, como se estivessem estado sempre aqui escondidos, em forma do candeeiro que me guarda a secretária, em forma dos chinelos que piso sem nunca me preocupar com o que eles possam sentir, em forma do espelho que me vigia a toda a hora. Podiam ser tudo isto, mas não são, porque os oiço no armário às vezes enquanto finjo dormir. Oiço o riso do palhaço abafado pelas próprias luvas, que tapam os dentes amarelados que fazem escárnio de mim e da minha inocência. O palhaço é o pior deles todos.
Vive uma senhora idosa no armário, que não sei donde poderá ter vindo. Tem os cabelos amarelos, não loiros, não da cor do sol, mas sim da cor dos dentes das pessoas que fumam muito. Esse tipo de amarelo. Tem um pequeno chapeuzinho preto e parece que faz luto. Tem uma rede negra a proteger as rugas da cara e fuma por uma boquilha. É assustadora porque nunca fala, porque se manifesta por fungões e trejeitos na boca ou estalidos na língua, e porque tem um ar altivo e austero.
Tenho esqueletos no armário, esses são os que já conheço bem, porque saem mais frequentemente.
Saem do armário e viram tudo, viram a cama do avesso e fazem dela uma mesa onde jogam cartas sob uma nuvem de fumo dos charutos do palhaço, que mete três na boca ao mesmo tempo, e dos cigarros da mulher de luto. Enchem o quarto de fumo, de um cheiro pestilento a álcool que bebem que nem marinheiros. São garrafas de rum pelo chão e outros líquidos amarelados que vêm de garrafas que não sei o que são. Jogam e fazem batota, fazem barulho, gritam e saltam, os esqueletos dançam uma dança assustadora e o palhaço gordo ri-se do fundo dos seus pulmões sujos, atirando a cabeça para trás e segurando a barriga com as luvas rotas. Bebem das garrafas e atiram-nas contra as paredes acertando nas aranhas gigantes que formam manchas de sangue pela parede branca. Viram o quarto de pernas para o ar, fazem jogos de cartas, bebem, e batem-se sob o supervisionamento do palhaço barrigudo que se ri a bom rir com os três charutos na boca.
Então, toca a campainha, e és tu. Eles escondem-se no armário, fecham as portas e tudo o que fica é um quarto arruinado, abandonado, sujo e impregnado.

E então vens tu e pões tudo em ordem até uma próxima vez.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

missiva do águas dos Lombos

Destaque no jornal Linha desportiva há duas semanas:

"Após as goleadas fora de casa sobre o Varge Mondar (3-14) e Escola da Ramada (1-7), Leões de Porto Salvo e CRC Quinta dos Lombos continuam a ocupar os dois lugares do topo da tabela classificativa do distrital de juniores femininos, as leoas já com o título na mão há várias jornadas, as lombitas na vice-liderança com um ponto de vantagem sobre o duo SL Benfica/Atlético Povoense (56-55), com esta última a visitar Carcavelos na jornada do próximo sábado (15h30), penúltima do campeonato, partida em que vai estar em jogo a posição até agora ocupada de forma brilhante pelas jovens auri-negras."

 ...uma semana depois...

 "Na jornada do passado sábado leoas e lombitas somaram vitórias, as portosalvenses com a Escola da Ramada por 3-1, as carcavelenses com o Atlético Povoense por 4-0, com este resultado a permitir ao CRC Quinta dos Lombos manter-se na vice-liderança com mais um ponto que o SL Benfica (59-58)."

Este sábado é o último jogo, e só a vitória nos dará o segundo lugar e o acesso a disputar o campeonato nacional de juniores de futsal feminino. Uma vitória contra uma equipa que também vai estar a disputar o segundo lugar connosco, o Carnide. Jornada de emoções fortes, e dou tudo para ver estas miudas no nacional.
 Força Lombos!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Maloks

Ia em 14 linhas quando reparei que não escrevia aquilo que sinto, mas aquilo que penso. Há uma grande diferença entre estas duas coisas, e como já disse antes neste blog, tenho uma dificuldade enorme em escrever sobre quem amo. Por isso, mesmo que não leias nada disto, quero deixar aqui que te amo como o grande amigo que tens sido sempre, com todos os conflitos que as amizades trazem com elas.
És dos amigos mais antigos e que ainda está tão presente. Obrigado por isso. Obrigado pela tua amizade. Nesta nova fase da tua vida desejo-te que aprendas, que aceites a mudança e que continues forte. O que sei sobre a amizade é o que os meus amigos me ensinaram, e tu deste um grande contributo para isso. Sê feliz Nuno, Maloks, Mlhoks, Maluco, Amigo.

sábado, 14 de abril de 2012

Making of The lion king

Não sei como não me lembrei de ter procurado isto antes...







sexta-feira, 13 de abril de 2012

Flip The Frog - Fiddlesticks (1930)

vi a minha infância toda uma cassete com este desenho animado, não me lembro da idade que tinha, mas era mesmo muito novo. Fazia parte da colecção de cassetes de desenhos animados que eu via na altura, muitos em inglês sem legendas porque eram todos dos tempos dos meus pais nos estados unidos. e depois de ter reencontrado as cassetes à uns meses após tanto, tanto tempo sem me lembrar deles, veio um sentimento nostálgico indescritível. Não tenho leitor de cassetes, andei à procura na net e hoje encontrei um exemplar brutal.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Amesterdão

terça-feira, 27 de março de 2012

a escola

por Agostinho da Silva

“Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante – formação de carácter e desenvolvimento da inteligência –, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque.”

“Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar. A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam. Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta. Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas sulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra”

“É bom em qualquer grau de ensino que o professor deixe de ser o habitual orador e aproveite para estudar o tempo que até agora tem despendido a falar; já há bastantes livros que o aluno por si estude, bastante material de laboratório, mais ou menos habitual e barato, para que o aluno faça por si as experiências e perceba como se edifica o saber; já há bastante vida à volta para que o aluno a possa visitar, examinar, criticar e deixe de ser a escola a prisão em que habitualmente corrigimos a delinquência de se ser criança; quanto menos aparecer o professor, tanto melhor a escola; pode ser que um dia o suprimamos e vamos nós à escola para reaprender a infância.(…)"

quinta-feira, 22 de março de 2012

a formatação do ensino

Perigosa é a formatação no ensino. O ensino em série. O facto de todas as pessoas aprenderem a mesma matéria, com pequeníssimas alterações, de ano para ano. Este processo de formatação que toma todas as pessoas como iguais (infelizmente não na igualdade de liberdade que deviam ter), não atendendo às necessidades ou particularidades das pessoas. Não percebendo que cada um de nós somos intrinsecamente diferentes, que cada um de nós tem uma história diferente, que sentimos o ímpeto por diferentes coisas.
Porque é que todos os alunos devem ler Os Maias no 11º ano? Talvez uma pequeníssima percentagem dos alunos venham a gostar da obra e outra mais pequena ainda venha a entendê-la, mas o que conta é que o aluno que não tenha a natural pré-disponibilidade para aceitar a obra não a entenderá e muito provavelmente terá má nota. E isso é grave, porque aceitamos isso. Quando o que acontece é que podia ser muito mais interessante para aquela pessoa, para aquele aluno, ver, quem sabe, uma reacção química ao vivo. Escavar uma vez com uma equipa de arqueólogos e encontrar a mínima coisa que fosse. Pisar um palco para actuar, cantar, dançar.
Todos nós temos necessidades e sensibilidades diferentes, e a formatação no ensino acaba por dar a todos as mesmas experiências que são avaliadas da mesma forma não tendo em consideração estas diferenças.
Quando percebermos que são as experiências que nos possibilitam descobrir aquilo que gostamos de fazer, talvez percebamos que o que a escola agora nos ensina é a saber fazer, e não o que gostamos de fazer, quando deveria ser essa a sua principal prioridade.

domingo, 18 de março de 2012

CRCQL


Não só porque ganhar ao Benfica tem sempre um sabor doce, mas também porque dominámos o jogo e fomos em tudo melhores. Parabéns equipa!

sábado, 17 de março de 2012

Los tres tenores. Nessun Dorma



Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che tremano d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun saprá!
No, no, sulla tua bocca lo diró
quando la luce splenderá!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun saprá!...
e noi dovrem, ahimé, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vinceró!
vinceró, vinceró!


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Ninguém durma! ninguém durma!
Tu também, ó princesa,
na tua fria alcova
olhas as estrelas
que tremulam de amor
e de esperança!

Mas o meu mistério está fechado comigo,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, sobre a tua boca o direi,
Quando a luz resplandescer!

E o meu beijo destruirá o silêncio
que te faz minha!

E o seu nome ningúem saberá!
E nós deveremos, infelizmente, morrer!

Desvença, a noite!
Desapareçam, estrelas!
Desapareçam, estrelas!
Ao alvorecer eu vencerei!
Vencerei,Vencerei!!!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Força Lombos!

Amanhã, às 15:30 é este:

(a vitória está no bolso)

E logo a seguir, no mesmo pavilhão, a enorme equipa das júniores femininas da Quinta dos Lombos:
Leões de Porto Salvo Vs. Quinta dos Lombos

sexta-feira, 2 de março de 2012

N.T.

Desde que tenho blogue sempre tive as duas grandes questões: O que devo postar publicamente ou não? E para quem escrevo?
Em relação à primeira não sei, mas assuntos pessoais têm sido menos habituais. Sobre a segunda questão, já escrevi para amigos. Depois tive noção de que só escrevia para quem me odiava, porque só esses se davam ao trabalho de saber de mim. Depois descobri que na verdade escrevo para mim. Sem clichés nem disfarces, escrevo para mim; não o Eu de hoje, não escrevo para me sentir realizado, na verdade nunca o sinto quando escrevo, mas sim para o Eu de amanhã. Para que eu amanhã possa olhar para trás e saber o que senti, porquê, e quando; e poder chamar-me infantil, ou ver o que já corrigi ou aprendi.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Um filme que já devia ter visto há mais tempo

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Agostinho da Silva

O verdadeiro caminho para a arte
"Museus, bibliotecas e salas de concerto, hoje televisão e rádio, têm sido tão daninhas para a arte como os campos de futebol para o desporto; há milhares de pessoas que se julgam desportistas porque assistem aos jogos ou, mais comodamente ainda, os seguem de longe e não percebem que marchar cem metros na chuva é muito mais desportivo do que ver todo um campeonato. Do mesmo modo, a criança que mistura suas aguarelas ou maneja seus lápis de cor ou o adulto que, aproveitando um domingo de casa, pinta uma porta da cor exacta para a sala são mais artistas, sentem mais a arte e estão muito mais próximos da arte de Deus do que todos os visitantes de museu ou todos os leitores de biblioteca para quem o acto é tão mecânico e tão apenas matador de tempo como fumar ou ver gente passar pelas esquinas das ruas."

O artista privilegia a sua obra aos outros
"E em primeiro lugar: deve ser a felicidade um critério? Para mim, só é questão a felicidade própria, acho que a dos outros deve ser sempre um critério. Sempre? Se Beethoven, para compor a sua música, se Dante, para escrever a sua poesia, se Tolstoi, para viver a sua vida, mais bela, mais dramática do que os livro, tiveram de esmagar felicidade à sua volta, se, como creio, uma coisa se não podia ter feito sem a outra, que valeu mais? Devia também ter sido critério para eles a felicidade dos outros? Se um artista tem uma obra dentro de si, deve sacrificar os outros ou a obra? Nenhum artista, é claro, hesitaria na resposta: a obra nunca se sacrifica. Os artistas, querido Amigo, são uma espécie de lobisomens: obedecem a um fadário, não podem deixar de sacrificar os outros em vez da obra; o que não é, nos melhores, pequeno elemento para que sofram."

A necessidade dos chefes
"De todos os hábitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malefícios quanto ao mundo futuro – o hábito de ter chefes. O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais fácil de não ter de decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos à nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia. Quando surge uma dificuldade de carácter colectivo, a primeira ideia é a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o áspero martírio de ser chefe. Pois bem: pode ser que isto tenho trazido grandes benefícios em outras crises da História; nem vale, por outro lado, a pena saber o que teria sido a dita História se outras se tivessem apresentado as circunstâncias. Mas, na presente, a verdadeira salvação só virá no dia em que cada homem se convencer de que tem de ser ele o seu chefe. Ou, dentro dele, Deus."

Agostinho da Silva

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Abril:

Bélgica - Holanda
Bruxelas - Amesterdão

Vamos? Vamos!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Amanhã?


Amanhã é novamente a peça "O Pesadelo Antes do Natal", agora em Janes, qual é a dúvida? Apareçam!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O pesadelo antes do Natal, em Janes



Sociedade de Janes, às 21:00!