segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

overload

Posso passar 11 meses sem um trabalho que me dê motivação, mas quando aparece um aparecem logo todos. Carga de trabalhos bem-vindos, exigentes a nível criativo, numa altura em que a cabeça está congestionada; mas sempre bem-vindos:
Peça para apresentar durante Fevereiro;
Preparar animação infantil para o dia de Carnaval do sindicato de bancários do sul e ilhas.
Preparar animação infantil para o Dia Mundial da Criança da biblioteca de S.Domingos de Rana.

Todos projectos que tiveram (e têm) de arrancar do ponto 0, com o maior selo de originalidade e pedagogia possível.
Os meus neurónios andam numa guerra intra-cerebral por ideias...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

apontar ao impossível, porque o possível já foi todo feito



Quando se fala pela primeira vez de uma sociedade onde não exista um sistema monetário a uma pessoa que nunca pôs a questão em causa, a resposta é invariavelmente a mesma: “utopia”. Não me vou alongar em explicações sobre a comprovada abundância que o nosso planeta poderia alcançar caso abandonássemos o sistema monetário onde tudo o que se faz não se faz para durar o máximo tempo possível, nem para ser o melhor possível, mas pura e exclusivamente para a obtenção de lucro. Daí resulta um sistema de saúde deficitário, um sistema de justiça deficitário, um sistema de ensino deficitário, uma comunicação social deficitária e, resumidamente, uma sociedade deficitária. Mas, como disse, não me vou alongar nestas questões pois vou deixá-las para uma outra oportunidade.
O nascimento deste texto dá-se em resposta a essa questão tão frequentemente levantada pelos quadrados (chamo assim às pessoas que negam algo que nunca puseram em causa), sobre a utopia de um sistema baseado nos recursos naturais em vez de um sistema monetário. Geralmente, quando é iniciada a conversa sobre este tema, mal é começada a primeira explicação sobre os ideais sociológicos de uma pessoa que não acredite na eficaz sustentabilidade do sistema monetário, o burguês (ou o quadrado) passará a nossa primeira explicação não a ouvir atentamente mas a tentar descobrir a que ideologia política os nossos ideais correspondem. Por outras palavras, na explicação de abertura estará o interlocutor a tentar categorizar o que ouve, a pôr um rótulo de “anarquista” ou “comunista” ou “utópico”.
No meu caso acontece que desenvolvi as minhas ideologias sociais antes de conhecer concretamente as ideologias políticas, e talvez daí resulte que quando cheguei a uma convicção sobre aquilo que devia ser a sociedade actual, não a vi como uma ideologia política por duas razões: em primeiro lugar porque não acredito que a política deva ter um lugar de tamanha importância na vida de toda a população de um determinado país, por acreditar que não são os políticos que estudam para encontrarem soluções para as questões essenciais de um país que são a de garantir alimentação, abrigo, ensino e saúde para todos (cabem estas questões a agricultores, pescadores, engenheiros, arquitectos, cientistas ou médicos); os políticos chegam ao seu estatuto sabendo às vezes algumas coisas de números, gíria económica, mas, acima de tudo, noção de lucro. É fácil de ver que não são números que nos alimentam, nem gíria económica que nos abriga, nem noções de lucro que nos cura. Em segundo lugar, porque quando cheguei ao ponto de olhar para aquilo em que acredito que resulta em termos sociais, reparei que não sou nem anarquista, nem comunista, nem socialista, nem fascista, mas uma mistura de tudo, num esforço por dar a mesma oportunidade de desenvolvimento pessoal a alguém que acredite que deve seguir a sua vida de uma determinada maneira diferente da minha. O que não acontece, de resto, em qualquer outra ideologia política que não a do anarquismo, pois em todas as outras há sempre o conceito de “esquerda” e “direita” que não respeita a liberdade plena do indivíduo do grupo oposto.
Dizia eu que a primeira reacção de um interlocutor quadrado numa discussão desta natureza é categorizar as nossas ideias, rotular como nas secções por tema de uma livraria, e então dizem “és anarquista”, ou “és comunista”, ou “és fascista”, sem tentarem seguir a linha de raciocínio até ao fim para depois a poderem pôr em causa com argumentos fundamentados. Em relação a argumentos fundamentados, aí entram algumas questões curiosas porque o que acontece geralmente é que os argumentos de um quadrado nunca são fundamentados. Defendem o sistema monetário porque foi nele que cresceram, é nele que vivem e nunca sequer pararam para pensar nos benefícios (que houveram) e malefícios de um sistema deste género. Então dizem “já foi experimentado anarquismo, já foi experimentado comunismo, já foi experimentado fascismo. Só o capitalismo resultou bem”.
Pois bem. Acho, em primeiro lugar, que não se podem comparar sistemas políticos que tenham sido experimentados em épocas ou condições geo/demográficas completamente diferentes. Em segundo lugar, acredito que dizer que o capitalismo resultou, ou resulta, bem, é de uma ignorância de factos que, além de perigosa, tem sido o alimento do próprio capitalismo.
A começar pela educação. Acreditar que a educação resulta bem quando a esmagadora maioria dos alunos acaba o ensino chamado secundário sem ter a mínima noção do que nasceu para se tornar em adulto. Acreditar que a educação resulta bem quando esta é feita de forma a que as crianças se tornem desde cedo em soldados de produção com uma mentalidade competitiva, em que quando sairem da escola devem fazer não aquilo para que sentem que nasceram, não realizar-se pessoalmente, mas sim escolher um trabalho consoante as necessidades do mercado. E passam os estudantes (principalmente os do ensino superior) por uma altura da vida em que a criatividade, imaginação e energia naturais da idade são desperdiçadas em quartos de estudo intensivo onde não têm tempo para descansar, para comer, para se divertir nem para viver. Optam por cursos com cadeiras onde não vêem utilidade nenhuma, têm professores que não querem saber de mais nada do que ter a sua conta em ordem no final do mês, gastam rios de dinheiro em material obrigatório desnecessário e para quê? Quando saem na universidade são poucos os que encontram trabalho na sua área de formação; menos ainda são os que sentem que aquele curso os realizou a um nível pessoal.
Não tenho soluções definitivas, porque não acredito em soluções definitivas, conclusões, ou tudo o que seja imposto, porque acredito que há sempre algo mais, alguma forma de sermos melhores, mas acredito que o ensino “superior” devia passar não por uma sucessão de cursos com cadeiras que só lá estão para preencher tempo, mas devia o aluno de poder escolher as cadeiras que achasse interessantes para ele entre os vários cursos e, a partir daí, criar ele um conjunto de competências com que poderá ajudar a sociedade ou ele próprio a desenvolver-se. No ensino chamado primário (e peço desculpa por não seguir a explicação pela ordem de ensinos), deveria o aluno poder chegar à escola e escolher aquilo que quer aprender, seja isso aprender a escrever, aprender a construir uma cadeira, aprender a lançar o papagaio ao ar ou aprender a cantar. Mas como daí a alguns anos os alunos do primário têm de ter uma série de competências para poderem entrar no mercado de trabalho, não podem ter a liberdade de fazerem aquilo que gostam ou, mais simplesmente ainda, de aprenderem aquilo que gostam.
Porque a nossa vida é isso não é? Não fazemos aquilo que gostamos, muitos de nós nem sequer sabemos aquilo que nascemos para ser, mas vivemos nesta forma de escravatura oculta, onde temos trabalhos que não gostamos e que na verdade não servem para o desenvolvimento de nada que interesse, mas temos de trabalhar para sobreviver. Estamos no século XXI, no auge da mecanização e tecnologia, onde há máquinas para fazerem todo o trabalho que é realmente necessário (criação de alimento, abrigo, energia). Não é que todos os trabalhos fossem substituíveis por máquinas, mas se substituissem todos aqueles possíveis por mecanização, talvez o ser humano já não precisasse de trabalhar 8, 10, às vezes 24 horas por dia. Mas para que aceitássemos que a mecanização fizesse o trabalho por nós, tinhamos de tirar da cabeça a ideia de que o desemprego é um facto altamente negativo no desenvolvimento de um país. Só num sistema monetário, onde o lucro vem desta escravidão da população, é possível olharmos para o tempo disponível para nós como negativo. Porque sem trabalho não há dinheiro, sem dinheiro não há comida nem casa, nem saúde, nem educação. Fora com o capitalismo e sistema monetário, que venham as máquinas para fazer o trabalho por nós, desenvolvamos as máquinas para que a próxima geração já não tenha de fazer um trabalho que nós hoje temos, e verão como o desemprego é uma benção porque nos dá tempo para nos realizarmos como indivíduos. É incrível a quantidade de pessoas que acorda todos os dias de manhã sem o sentimento de ir fazer nesse dia aquilo que realmente gosta, ou de ir em busca daquilo que gosta ou é. Em vez disso, acordam para ir para um emprego que não os realiza, com pessoas que não são as com quem eles preferiam estar, com horários que não deixam espaço para continuar a procurar aquilo que os realiza como indivíduos ou para se dedicarem como deveria ser às famílias.
Porque é que deixámos de acreditar que nascemos para sermos felizes ou que, tão simples quanto isto, não temos culpa rigorosamente nenhuma de termos nascido e por isso não nos deve ser dado o castigo de trabalharmos para podermos continuar com a vida?
Referi a educação, porque acho que é o pilar mais importante da construção de uma sociedade realmente sustentável e, como eu creio que deva ser, livre.
Outros casos são de igual importância, mas que não vou pormenorizar para que este texto não se extenda a ponto de livro. Não posso, no entanto, deixar de referir a constatação curiosa de que o número de sem-abrigo é inferior em qualquer país ao número de casas inabitadas. Porque é que isto acontece? Lucro; sistema monetário; capitalismo. Tantos outros são os casos, uns mais, outros menos impressionantes que permitimos que aconteçam. Nem vale a pena sequer falar do valor desta falsa democracia onde a única diferença política entre isto e o fascimo pelo que Portugal já passou é que agora podemos escolher quem é que queremos que nos prenda pelos braços e pelos pés e nos lance à vida. De que fazemos valer a luta dos nossos antepassados pelo fim do fascismo quando desde então as nossas escolhas caem apenas sobre dois partidos (mais um de vez em quando) que já deram provas de não serem capazes de resolver as questões fundamentais das pessoas do seu país. Não faço nenhum ataque pessoal a nenhum desses partidos porque não acredito que a culpa seja dos políticos que, como qualquer pessoa actualmente neste tipo de sociedade, tenta ter o melhor sucesso possível, mas culpo a ignorância das pessoas, a opção que tomamos de nos  fingirmos (ou sermos mesmo) cegos a estas questões e, mais importante ainda, de não procurarmos soluções. Para que quisemos a democracia afinal? Não acredito na política e por isso a minha solução neste campo passa, mais uma vez, pela solução que me parece mais simples: deixem os arquitectos e engenheiros decidirem que tipo de construções são melhores, mais funcionais e em que sítios devem ser feitas para poderem estar disponíveis nas melhores condições sustentáveis para toda a população. Deixem os agricultores decidirem a melhor forma de nos organizarmos para que haja alimento disponível para toda a população. Dêem espaço para que todos possam sugerir novos modelos, novas fórmulas que lhes pareçam possíveis. Deixem de fazer da comunicação social, da televisão, um latrina cheia de merda e dêem-lhe conteúdo, dêem razões às pessoas para pensar. A televisão neste momento é composta 70% de programas de entretenimento, 20% de programa de informação inútil ou falaciosa, 8% de arte audiovisual e 2% de informação útil. Todos aspiram a ter um programa na televisão, mas depois notam que não têm tema para encher todo o tempo de programa que têm de fazer. Então em todos os programas “enche-se chouriço”, fala-se do que não é importante porque o importante é ter um programa e aparecer na televisão para as pessoas se venderem como marcas, em vez de a televisão ser um espaço aberto para que cada pessoa possa mostrar um trabalho que tenha feito, ou algo que queira partilhar e que seja de interesse comum a uma parte da população. Mais uma vez, a comunicação social (cujo papel, a meu ver, está muito àquem daquele que deveria ser) e a televisão falham por causa do sistema em que estão inseridos. Porque é mais lucrativo, vai dar mais audiências ter uma figura conhecida a apresentar um programa sem valor, do que um completo desconhecido a apresentar um programa de conteúdo interessante, porque esse vai ser passado às 4 da manhã num canal a pagar. Então há que agradecer muito ao sistema educativo e à comunicação social pela ignorância das pessoas.

Tudo o que foi escrito aqui é utópico. É utópico enquanto vivermos num sistema que não pomos em causa, é utópico enquanto andarmos de olhos fechados e é utópico enquanto não existir uma revolução interior nas pessoas e é utópico enquanto não percebermos que aquilo que conhecemos não é, afinal, a única solução possível, nem sequer a melhor.
Aos que me chamam utópico, gostava ainda que percebessem que nada do que eu escrevi poderá ser feito do dia para a noite. Aliás, nada acontecerá enquanto nós próprios não tivermos consciência das vidas que temos e optarmos, nós, por mudar primeiro a nós próprios e depois a sociedade.
Pode ser este texto o ponto de arranque para essa introspecção, terá servido de alguma coisa se estas linhas ajudarem alguém a entrar num estado reflexivo, seja qual for a conclusão a que chegue; nem me importa, sequer, que essa reflexão termine numa conclusão diferente da minha, se for esse o caso tanto melhor – assim em vez de haver só uma solução passarão a haver duas.


Hugo Pinto
25-01-2012

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

crítica

Só seremos grandes quando a crítica passar a ser interior em vez de se apontar o dedo ao próximo, quando percebermos que só podemos crescer se pusermos em causa tudo o que somos e em que acreditamos, em vez de atacar os outros para os rebaixar. Rebaixar os outros só dará ilusão da nossa altura.
E só quando essa introspecção for feita, quando descobrirmos o poço de erros que somos, estaremos dispostos não a perdoar os outros, porque não somos superiores a ninguém para termos o poder de perdoar, mas a aceitá-los.
 HP

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Educação de Portugal


Acreditando, pois, que o homem nasce bom, o que significa para mim que nasce irmão do mundo, não seu dono e destruidor, penso que a educação, em todos os os seus níveis, formas e processos não tem sido mais que o sistema pelo qual estra fraternidade se transforma em domínio. (...) o homem, tal como o conhecemos, se fez rei do mundo e irá até onde quiser pela força da sua inteligência, a persistência no querer e a piedade nenhuma pelo que possa vir a opor-se; todos os fracos, do grupo ou não, serão esmagados, e, sabedores disto, todos nós, pelos tempos fora, temos querido que a escola, escola chinesa ou escola alemã, escola chamada progressiva ou escola retrógada, seja fundamentalmente uma fábrica de fortes. Fortes para a invenção na indústria e a concorrência no comércio; (...) fortes para abrirmos caminho, fortes e aí vem a palavra final, para vencermos a vida.
O grave de tudo isto é que nos lembramos sempre da criança que fomos e que por nossas mãos matamos, às vezes nos consolando com a ideia de que eram as mãos dos outros que estavam apertando as nossas para o estrangulamento, mas sentindo bem que o vencer na vida significa afinal o ter vencido a vida; (..) De tal modo nos terá dominado o nosso sistema de educação que nunca mais criança alguma nascerá para ser livre na plena liberdade do mundo? Terá o feitiço tomado conta do feiticeiro e cada vez aperfeiçoaremos mais os nossos sistemas pedagógicos apenas para que cada vez seja maior a nossa eficiência na batalha da vida, ou a batalha em que transformamos a vida? Nenhum dos melhores acreditou jamais em que tal se desse; fé e esperança se têm unido para assegurar que para além de todas as violências, porventura necessárias para que o grupo humano se organizasse, tempo virá de caridade, entendendo-se caridade não como aquele suplemento de humilhação que se leva aos que caíram na luta, mas como o amor irrestrito que, embora consciente dos defeitos do amado, o ama sem pensar em saldo positivo ou negativo.

Agostinho da Silva

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A fé dos homens é ainda na liberdade

"Neste tempo em que estamos, outro nome para nós devem tomar a Beleza e o Amor que Deus é, e o nome que devemos fundir numa Trindade agora plenamente vista é o de liberdade. Apesar do sistema económico que não deixa que os homens aproveitem pleno e rápido o que o génio lhes inventa(...); apesar de vivermos num mundo tão cioso de seu cristianismo que se continua a queimar comida para que os preços não desçam, e isto mesmo num Mercado Comum Europeu de que tantos tão facilmente se enamoram; apesar de homens serem conservados no desemprego, com a fome ou a humilhação do socorro estatal, apenas porque tal convém ao lucro; apesar de que noutra metade do mundo a saída do subdesenvolvimento se esteja processando em regimes que não põem nos meios que empregam a concordância com os fins, isto é, que são repressivos quando têm por ideal a total abolição de autocracias; apesar de se estar caminhando, mesmo nos países que mais livres pareciam, para formas de repressão em que o homem se esmaga; apesar do pouquíssimo respeito que se demonstra pelos direitos do indivíduo ou das nações; apesar de toda a noite que se afigura estar descendo sobre o mundo; a fé dos homens é ainda na liberdade, a pressão sobre a economia é ainda a da liberdade, a limitação aos governos, tão predispostos ao abuso, é ainda a da liberdade; e, na palavra ou no silêncio, mesmo nos mais embrutecidos por qualquer lado das guerras, mesmo nos mais afastados de um pensar coerente, a ideia dominante é a de que querem viver as suas vidas próprias na liberdade e na paz. (…)

Todas as esperanças nos são abertas; os avanços tecnológicos estão ao nosso dispor e para o único fim em que serão úteis, para nos darem tempo livre; talvez, durante alguns séculos ainda, tempo livre para criarmos matemática ou poesia ou pintura; depois, tempo livre já mais certo, que é o de vermos a matemática ou a poesia e a pintura como existindo no mundo à nossa volta com mais plenitude do que em nossas equações, versos e quadros, dispensando a existência dos artistas, que terão sido apenas meios de comunicação da beleza para quem ainda não podia ver directamente; e afinal, na idade melhor, sendo nós próprios matemática, poesia e pintura, vivendo arte e ciência, e, por viver, as criando."

Agostinho da Silva, em Educação de Portugal

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ignoro

Mais grave do que se ser ignorante é ignorar essa ignorância.
HP

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

que comece em 2013


Que mudemos as nossas vidas
(Aquelas que não estão perdidas).
Não falo das dos pobres ou mandriões
Que as vivem distantes contando tostões.
São os outros de classe elevada
que fizeram da sua cabeça quadrada
e fugiram da natureza,
fizeram do humano fraqueza
em vez de talento inesgotável,
fonte infinita de amor potável.
Essas referidas vidas
que digo estarem perdidas
são aquelas que o dinheiro e a ignorância
deixaram o bom senso à distância.
Que vivem a vida ausentes,
em rotinas deprimentes,
onde trabalham, compram casa e casam
e sorriem ao dinheiro que ganham
sem pensar por um segundo
no que vieram fazer ao mundo.
“Não nascemos para trabalhar”
Diz o poeta, “nascemos para criar.”
Nascemos para sermos nós mesmos.
Únicos! sem barreiras nem termos.
E a sociedade que se diz desenvolvida
Devia trabalhar com uma meta definida:
Utilizar o seu conhecimento individual
para se organizarem de forma tal
que facilitem a vida para que todo o Ser
descubra aquilo para que quer viver.