domingo, 7 de fevereiro de 2010

A arma do silêncio

Não sou ninguém para o fazer, nem tenho competências para, mas quem é que nunca quis ou tentou escrever um livro?
Eu já e este é o início do prólogo que comecei recentemente a escrever e que tenciono levar ao fim.
Será sobre liberdade, tendo como temas a homossexualidade, os regimes totalitários, o direito de opinião e a amizade.
Quando o virem na Fnac, na dedicatória poderão ler "Dedico este livro a todos aqueles que já foram mortos, torturados ou perseguidos por exercerem o seu direito humano de opinião."
Parece que estou armado em escritor mas não, é um...texto...ainda...sobre coisas que mexem comigo e que me tocaram num filme com Javier Bardem (actor por quem estou completamente apaixonado) e Johnny Depp, chamado "Antes que anoiteça".
O início do Prólogo, ainda sem correcções, está assim.

As palavras saiam-lhe pelos dedos à medida que ele fustigava as teclas da máquina de escrever a toda a velocidade, atropelando os dedos numa onda de inspiração desenfreada, comendo sílabas, saltando palavras, ignorando a acentuação. O som que vinha da pequena televisão a preto e branco era quase imperceptível, por baixo do som da pesada chuva que martelava o telhado com força e o vento que rugia, ameaçando levantar as telhas do telhado frágil, tudo isto ritmado pelo constante Tac-Tac que saía da máquina de escrever como tiros de metralhadora. “O Inverno que triste bate à porta dos desafortunados é o mesmo que irradia a casa dos optimistas…”, as palavras não lhe pareciam as certas, as metáforas eram desapropriadas e sem sentido, mas ele não se importava, não as iria apagar mal arrancasse a folha da máquina de escrever, apenas continuava a digitar letra após letra, sem interromper o Tac-Tac delirante da sua obsessão pela palavra certa, pela frase completa, pelo texto perfeito.
Um barulho na porta interrompeu o frenético martelar da máquina de escrever, como um trovão que decidira castigar aquele pedaço de madeira gasta e esburacada a que ele gentilmente chamava de porta. Os baques na porta persistiam, como tiros de canhões, ameaçando arrancá-la das dobradiças que rangiam a cada batimento. Levantou-se calmamente da sua cadeira, que estalava como paus secos numa lareira, arrancou a folha da máquina de escrever e aproximou-se com vagar da porta, ignorando o barulho ensurdecedor que dela provinha. Quando chegou a meros metros da porta, esta foi arrancada das dobradiças com uma força tremenda, pontapeada por alguém e lançada contra o seu fraco corpo, atirando-o ao chão, levantando o pó da alcatifa manchada.
- Onde é que está? – rugiu uma voz imponente.
Afastou a porta de cima do seu corpo, levantando-se a custo, não fosse a doença que lhe carcomia o corpo por dentro, tornando o mais pequeno esforço numa prova olímpica. Olhou para a figura que lhe acabara de invadir o quarto alugado, um charuto preso entre os dentes amarelados, soltando no ar um fumo cinzento que serpenteava desde a ponta acesa. Um pontapé no ombro arremessou-o novamente para o chão, a cabeça a bater com força na alcatifa que pouco fez para amparar a queda. O vulto aproximou a cara da sua e, pela primeira vez, ele viu-lhe os olhos. Viu os olhos, mas não viu mais nada para além deles. Vazios. Uns olhos verdes, frios, sem expressão nem emoção, apenas um esgar de malvadez, dois pontos ameaçadores naquela cara riscada de rugas. Sentiu-lhe o hálito a charutos baratos, um hálito que o enojou e o fez virar a cara, não fosse a imponente mão daquele homem agarrar-lhe nos poucos cabelos que ainda tinha presos à cabeça e virá-lo forçosamente para ele, encostando o nariz ao seu. Sentiu algo frio colar-se-lhe na bochecha. Sem se virar, ouviu um estalido metálico, identificando instantaneamente a arma que apontava directamente para a sua cara.
- Onde é que está?! – ladrou novamente a voz, seguida de uma tosse seca.
Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, como uma inundação incontrolável, a visão a distorcer-se e o medo a tornar-se real, a adrenalina a pique. Não conseguia falar, não lhe saía um som pela boca por mais que tentasse, não conseguia responder, não conseguia suplicar pela sua vida, mal conseguia respirar, tudo o que lhe saía da boca era um gemido ingovernável, um balbuciar desmedido quando tentava responder àquela pergunta ameaçadora.
(...)



Não tenho direitos de autor, mas também duvido que alguem pegue nisto ahah!
Abraços!

1 comentário: