Como é que sabemos quem é nosso amigo?
Bastante fácil, especialmente se formos ignorantes.
Em primeiro lugar, de salientar aqueles que nos telefonam todas as semanas (se não todos os dias) a dizer:
- ‘Bora “cafézar”!
- ‘Bora aos brasileiros!
- ‘Bora ao bowling!
-‘Bora aos pastéis de Belém!
- ‘Bora ao Starbucks!
- Ai Ai!
- ‘Bora jogar Monopoly até às tantas enquanto nos enfrascamos em Malibu e Vodka até termos o discernimento de vendermos um hotel no Rossio a 100 euros.
Esse mesmo amigo consegue estar com a namorada, deixar de ter momentos a sós com ela para me dizer:
- ‘Bora ao cinema!
- ‘Bora comer pão de alho da Pizza Hut até não podermos mais com os nossos próprios arrotos.
- ‘Bora, ‘bora, ‘bora!
Há amigos que se vêm simplesmente pela persistência da amizade, contra todos os factos. Somos capazes de lhes falarmos mal, pessimamente, nojentamente, chegarmos a virar costas e jurar que a nossa amizade acabou, mas que, à última, nos entram pela porta de casa e perguntam se podemos falar. Porque uma conversa cara-a-cara acaba sempre por resolver tudo, e porque os nossos planos para o futuro passam por ainda sermos amigos. Aqueles amigos que nos dão tudo e não nos tiram nada, mas que ameaçam “Não quero mais saber do programa para o teu blog!”, mas que no dia seguinte trazem ideias de génio apenas porque sabem que isso nos fará felizes. Aqueles a quem somos capazes de perdoar o imperdoável.
É impossível não falar daqueles amigos que, apesar de nos conhecermos há uns anos, parece que saímos da barriga da mesma mãe. Aqueles amigos a quem somos capazes de estar de costas voltadas um ano inteiro, por orgulho, mas que, no final, um de nós dá o braço a torcer em nome dessa grande amizade. Aqueles amigos a quem não falamos há anos, mas que, na noite em que nos encontramos após meses e meses de ausência, nos convidam a dormir lá em casa e a quem partilhamos segredos que não contamos a mais ninguém. E eles fazem-nos rir com a coisa mais absurda e desinteressante.
Amigos são também aqueles que nós temos a certeza absoluta que, caso precisássemos, nos dariam o seu tecto para dormir e a sua refeição para comer. Amigos que não damos o devido valor porque sabemos que vão estar sempre lá. Amigos que chamamos de chatos porque nos aleijam nas brincadeiras, temos de os controlar na bebida quando saímos à noite e, simplesmente, porque não batem bem. São amigos porque são as pessoas mais fiéis à amizade que conhecemos. Porque, para eles, a amizade é um dom e não se pode quebrar.
Em 2008 perdi grandes amizades. Umas que não me fazem tanta diferença, outras que fazem toda a diferença. Umas perdi por defender outras, outra perdi por querê-la demais. Talvez um dia voltemos a almoçar juntos, talvez um dia voltemos a partilhar a mesma piada. Quem sabe?
Este texto foi escrito em honra aos meus amigos mais chegados, curiosamente figuras masculinas, ou talvez não tão curioso assim. São eles aqueles amigos que considero irmãos de sangue e por quem dou muito. São aqueles por quem engulo o orgulho, são aqueles a quem dou os mais sinceros abraços, são aqueles que defendo contra tudo e todos e são aqueles amigos que exijo que durem a vida toda.
Esta postagem é dedicada aos amigos de sempre.
Cláudio.
Ramalho.
Sérgio.
Nuno.
A todos os nomes que mencionei, um “Muito obrigado”, um “Feliz ano!” e um “Continuem assim!”
Amigos.
Sugestão musical de hoje:
Queen - Under pressure (ao vivo)
Uma voz imortal. A música da minha vida.
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