segunda-feira, 23 de abril de 2012
Maloks
Ia em 14 linhas quando reparei que não escrevia aquilo que sinto, mas aquilo que penso. Há uma grande diferença entre estas duas coisas, e como já disse antes neste blog, tenho uma dificuldade enorme em escrever sobre quem amo.
Por isso, mesmo que não leias nada disto, quero deixar aqui que te amo como o grande amigo que tens sido sempre, com todos os conflitos que as amizades trazem com elas.
És dos amigos mais antigos e que ainda está tão presente. Obrigado por isso. Obrigado pela tua amizade.
Nesta nova fase da tua vida desejo-te que aprendas, que aceites a mudança e que continues forte.
O que sei sobre a amizade é o que os meus amigos me ensinaram, e tu deste um grande contributo para isso.
Sê feliz Nuno, Maloks, Mlhoks, Maluco, Amigo.
sábado, 14 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Flip The Frog - Fiddlesticks (1930)
vi a minha infância toda uma cassete com este desenho animado, não me lembro da idade que tinha, mas era mesmo muito novo. Fazia parte da colecção de cassetes de desenhos animados que eu via na altura, muitos em inglês sem legendas porque eram todos dos tempos dos meus pais nos estados unidos. e depois de ter reencontrado as cassetes à uns meses após tanto, tanto tempo sem me lembrar deles, veio um sentimento nostálgico indescritível. Não tenho leitor de cassetes, andei à procura na net e hoje encontrei um exemplar brutal.
terça-feira, 10 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
a escola
por Agostinho da Silva
“Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante – formação de carácter e desenvolvimento da inteligência –, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque.”
“Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar. A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam. Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta. Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas sulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra”
“É bom em qualquer grau de ensino que o professor deixe de ser o habitual orador e aproveite para estudar o tempo que até agora tem despendido a falar; já há bastantes livros que o aluno por si estude, bastante material de laboratório, mais ou menos habitual e barato, para que o aluno faça por si as experiências e perceba como se edifica o saber; já há bastante vida à volta para que o aluno a possa visitar, examinar, criticar e deixe de ser a escola a prisão em que habitualmente corrigimos a delinquência de se ser criança; quanto menos aparecer o professor, tanto melhor a escola; pode ser que um dia o suprimamos e vamos nós à escola para reaprender a infância.(…)"
“Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante – formação de carácter e desenvolvimento da inteligência –, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque.”
“Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar. A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam. Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta. Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas sulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra”
“É bom em qualquer grau de ensino que o professor deixe de ser o habitual orador e aproveite para estudar o tempo que até agora tem despendido a falar; já há bastantes livros que o aluno por si estude, bastante material de laboratório, mais ou menos habitual e barato, para que o aluno faça por si as experiências e perceba como se edifica o saber; já há bastante vida à volta para que o aluno a possa visitar, examinar, criticar e deixe de ser a escola a prisão em que habitualmente corrigimos a delinquência de se ser criança; quanto menos aparecer o professor, tanto melhor a escola; pode ser que um dia o suprimamos e vamos nós à escola para reaprender a infância.(…)"
quinta-feira, 22 de março de 2012
a formatação do ensino
Perigosa é a formatação no ensino. O ensino em série. O facto de todas as pessoas aprenderem a mesma matéria, com pequeníssimas alterações, de ano para ano. Este processo de formatação que toma todas as pessoas como iguais (infelizmente não na igualdade de liberdade que deviam ter), não atendendo às necessidades ou particularidades das pessoas. Não percebendo que cada um de nós somos intrinsecamente diferentes, que cada um de nós tem uma história diferente, que sentimos o ímpeto por diferentes coisas.
Porque é que todos os alunos devem ler Os Maias no 11º ano? Talvez uma pequeníssima percentagem dos alunos venham a gostar da obra e outra mais pequena ainda venha a entendê-la, mas o que conta é que o aluno que não tenha a natural pré-disponibilidade para aceitar a obra não a entenderá e muito provavelmente terá má nota. E isso é grave, porque aceitamos isso. Quando o que acontece é que podia ser muito mais interessante para aquela pessoa, para aquele aluno, ver, quem sabe, uma reacção química ao vivo. Escavar uma vez com uma equipa de arqueólogos e encontrar a mínima coisa que fosse. Pisar um palco para actuar, cantar, dançar.
Todos nós temos necessidades e sensibilidades diferentes, e a formatação no ensino acaba por dar a todos as mesmas experiências que são avaliadas da mesma forma não tendo em consideração estas diferenças.
Quando percebermos que são as experiências que nos possibilitam descobrir aquilo que gostamos de fazer, talvez percebamos que o que a escola agora nos ensina é a saber fazer, e não o que gostamos de fazer, quando deveria ser essa a sua principal prioridade.
Porque é que todos os alunos devem ler Os Maias no 11º ano? Talvez uma pequeníssima percentagem dos alunos venham a gostar da obra e outra mais pequena ainda venha a entendê-la, mas o que conta é que o aluno que não tenha a natural pré-disponibilidade para aceitar a obra não a entenderá e muito provavelmente terá má nota. E isso é grave, porque aceitamos isso. Quando o que acontece é que podia ser muito mais interessante para aquela pessoa, para aquele aluno, ver, quem sabe, uma reacção química ao vivo. Escavar uma vez com uma equipa de arqueólogos e encontrar a mínima coisa que fosse. Pisar um palco para actuar, cantar, dançar.
Todos nós temos necessidades e sensibilidades diferentes, e a formatação no ensino acaba por dar a todos as mesmas experiências que são avaliadas da mesma forma não tendo em consideração estas diferenças.
Quando percebermos que são as experiências que nos possibilitam descobrir aquilo que gostamos de fazer, talvez percebamos que o que a escola agora nos ensina é a saber fazer, e não o que gostamos de fazer, quando deveria ser essa a sua principal prioridade.
domingo, 18 de março de 2012
CRCQL
sábado, 17 de março de 2012
Los tres tenores. Nessun Dorma
Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che tremano d'amore
e di speranza.
Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun saprá!
No, no, sulla tua bocca lo diró
quando la luce splenderá!
Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!
(Il nome suo nessun saprá!...
e noi dovrem, ahimé, morir!)
Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vinceró!
vinceró, vinceró!
------------ -----------------------
Ninguém durma! ninguém durma!
Tu também, ó princesa,
na tua fria alcova
olhas as estrelas
que tremulam de amor
e de esperança!
Mas o meu mistério está fechado comigo,
O meu nome ninguém saberá!
Não, não, sobre a tua boca o direi,
Quando a luz resplandescer!
E o meu beijo destruirá o silêncio
que te faz minha!
E o seu nome ningúem saberá!
E nós deveremos, infelizmente, morrer!
Desvença, a noite!
Desapareçam, estrelas!
Desapareçam, estrelas!
Ao alvorecer eu vencerei!
Vencerei,Vencerei!!!
sexta-feira, 9 de março de 2012
Força Lombos!
sexta-feira, 2 de março de 2012
N.T.
Desde que tenho blogue sempre tive as duas grandes questões: O que devo postar publicamente ou não? E para quem escrevo?
Em relação à primeira não sei, mas assuntos pessoais têm sido menos habituais. Sobre a segunda questão, já escrevi para amigos. Depois tive noção de que só escrevia para quem me odiava, porque só esses se davam ao trabalho de saber de mim. Depois descobri que na verdade escrevo para mim. Sem clichés nem disfarces, escrevo para mim; não o Eu de hoje, não escrevo para me sentir realizado, na verdade nunca o sinto quando escrevo, mas sim para o Eu de amanhã. Para que eu amanhã possa olhar para trás e saber o que senti, porquê, e quando; e poder chamar-me infantil, ou ver o que já corrigi ou aprendi.
Em relação à primeira não sei, mas assuntos pessoais têm sido menos habituais. Sobre a segunda questão, já escrevi para amigos. Depois tive noção de que só escrevia para quem me odiava, porque só esses se davam ao trabalho de saber de mim. Depois descobri que na verdade escrevo para mim. Sem clichés nem disfarces, escrevo para mim; não o Eu de hoje, não escrevo para me sentir realizado, na verdade nunca o sinto quando escrevo, mas sim para o Eu de amanhã. Para que eu amanhã possa olhar para trás e saber o que senti, porquê, e quando; e poder chamar-me infantil, ou ver o que já corrigi ou aprendi.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Agostinho da Silva
O verdadeiro caminho para a arte
"Museus, bibliotecas e salas de concerto, hoje televisão e rádio, têm sido tão daninhas para a arte como os campos de futebol para o desporto; há milhares de pessoas que se julgam desportistas porque assistem aos jogos ou, mais comodamente ainda, os seguem de longe e não percebem que marchar cem metros na chuva é muito mais desportivo do que ver todo um campeonato. Do mesmo modo, a criança que mistura suas aguarelas ou maneja seus lápis de cor ou o adulto que, aproveitando um domingo de casa, pinta uma porta da cor exacta para a sala são mais artistas, sentem mais a arte e estão muito mais próximos da arte de Deus do que todos os visitantes de museu ou todos os leitores de biblioteca para quem o acto é tão mecânico e tão apenas matador de tempo como fumar ou ver gente passar pelas esquinas das ruas."
O artista privilegia a sua obra aos outros
"E em primeiro lugar: deve ser a felicidade um critério? Para mim, só é questão a felicidade própria, acho que a dos outros deve ser sempre um critério. Sempre? Se Beethoven, para compor a sua música, se Dante, para escrever a sua poesia, se Tolstoi, para viver a sua vida, mais bela, mais dramática do que os livro, tiveram de esmagar felicidade à sua volta, se, como creio, uma coisa se não podia ter feito sem a outra, que valeu mais? Devia também ter sido critério para eles a felicidade dos outros? Se um artista tem uma obra dentro de si, deve sacrificar os outros ou a obra? Nenhum artista, é claro, hesitaria na resposta: a obra nunca se sacrifica. Os artistas, querido Amigo, são uma espécie de lobisomens: obedecem a um fadário, não podem deixar de sacrificar os outros em vez da obra; o que não é, nos melhores, pequeno elemento para que sofram."
A necessidade dos chefes
"De todos os hábitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malefícios quanto ao mundo futuro – o hábito de ter chefes. O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais fácil de não ter de decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos à nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia. Quando surge uma dificuldade de carácter colectivo, a primeira ideia é a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o áspero martírio de ser chefe. Pois bem: pode ser que isto tenho trazido grandes benefícios em outras crises da História; nem vale, por outro lado, a pena saber o que teria sido a dita História se outras se tivessem apresentado as circunstâncias. Mas, na presente, a verdadeira salvação só virá no dia em que cada homem se convencer de que tem de ser ele o seu chefe. Ou, dentro dele, Deus."
Agostinho da Silva
"Museus, bibliotecas e salas de concerto, hoje televisão e rádio, têm sido tão daninhas para a arte como os campos de futebol para o desporto; há milhares de pessoas que se julgam desportistas porque assistem aos jogos ou, mais comodamente ainda, os seguem de longe e não percebem que marchar cem metros na chuva é muito mais desportivo do que ver todo um campeonato. Do mesmo modo, a criança que mistura suas aguarelas ou maneja seus lápis de cor ou o adulto que, aproveitando um domingo de casa, pinta uma porta da cor exacta para a sala são mais artistas, sentem mais a arte e estão muito mais próximos da arte de Deus do que todos os visitantes de museu ou todos os leitores de biblioteca para quem o acto é tão mecânico e tão apenas matador de tempo como fumar ou ver gente passar pelas esquinas das ruas."
O artista privilegia a sua obra aos outros
"E em primeiro lugar: deve ser a felicidade um critério? Para mim, só é questão a felicidade própria, acho que a dos outros deve ser sempre um critério. Sempre? Se Beethoven, para compor a sua música, se Dante, para escrever a sua poesia, se Tolstoi, para viver a sua vida, mais bela, mais dramática do que os livro, tiveram de esmagar felicidade à sua volta, se, como creio, uma coisa se não podia ter feito sem a outra, que valeu mais? Devia também ter sido critério para eles a felicidade dos outros? Se um artista tem uma obra dentro de si, deve sacrificar os outros ou a obra? Nenhum artista, é claro, hesitaria na resposta: a obra nunca se sacrifica. Os artistas, querido Amigo, são uma espécie de lobisomens: obedecem a um fadário, não podem deixar de sacrificar os outros em vez da obra; o que não é, nos melhores, pequeno elemento para que sofram."
A necessidade dos chefes
"De todos os hábitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malefícios quanto ao mundo futuro – o hábito de ter chefes. O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais fácil de não ter de decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos à nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia. Quando surge uma dificuldade de carácter colectivo, a primeira ideia é a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o áspero martírio de ser chefe. Pois bem: pode ser que isto tenho trazido grandes benefícios em outras crises da História; nem vale, por outro lado, a pena saber o que teria sido a dita História se outras se tivessem apresentado as circunstâncias. Mas, na presente, a verdadeira salvação só virá no dia em que cada homem se convencer de que tem de ser ele o seu chefe. Ou, dentro dele, Deus."
Agostinho da Silva
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Agostinho da Silva
"Só chamo trabalho àquela ocupação de que se não gosta e que se tem de cumprir por um certo sistema de sociedade, que ainda não avançou o bastante para o homem estar diante do tempo livre e aí exercer o que é perfeitamente humano, que é a criatividade."
"Quando alguma coisa é alguma coisa, deixa logo de ser as outras todas, e isso é uma pena. O que é preciso é ser tudo ao mesmo tempo."
"Quando alguma coisa é alguma coisa, deixa logo de ser as outras todas, e isso é uma pena. O que é preciso é ser tudo ao mesmo tempo."
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Agostinho da Silva
(sobre Partidos Políticos)
"No partido, a intensa opinião fragmenta-se e apuramos aquilo em que diferimos dos outros homens, não aquilo em que lhes somos irmãos; guiamo-nos por um ser geral que nos supera e por ele nos substituímos; vive em nós a tribo, muito mais do que a Humanidade."
"Não te satisfaças com o programa de um partido: inventa melhor."
"Partido é uma parte: sê inteiro."
"Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as «tuas» ideias políticas, não as ideias do teu partido; o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela. E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»."
"No partido, a intensa opinião fragmenta-se e apuramos aquilo em que diferimos dos outros homens, não aquilo em que lhes somos irmãos; guiamo-nos por um ser geral que nos supera e por ele nos substituímos; vive em nós a tribo, muito mais do que a Humanidade."
"Não te satisfaças com o programa de um partido: inventa melhor."
"Partido é uma parte: sê inteiro."
"Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as «tuas» ideias políticas, não as ideias do teu partido; o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela. E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»."
Agostinho da Silva
"Se não apontares ao impossível, te sairá baixo o tiro ao possível."
"Todo o homem é diferente e único no Universo; não sou eu, por conseguinte, quem tem de reflectir por ele, não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu quem tem de lhe traçar o caminho; com ele só tenho o direito, que é ao mesmo tempo um dever: o de ajudar a ser ele próprio; como o dever essencial que tenho comigo é o de ser o que sou, por muito incómodo que tal seja, e tem sido, para miim mesmo e para os outros."
"Quando julgo alguém apenas o defino em relação a mim, em sua semelhança ou diferença."
"Se me julgas, te julgas por julgares."
"Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espectáculo, de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo, da plena crianção em todos os domínios, arte, ciência, filosofia, porventura vida também."
"Não me interessa ser original: interessa-me ser verdadeiro."
"Ser intransigente com os outros não tem grande sentido; eles são o que podem ser e creio bem que seriam melhores se o pudessem; a Natureza ou o meio lhes tiraram as condições que os levariam mais alto; não os devo olhar senão com uma íntima piedade."
"Todo o homem é diferente e único no Universo; não sou eu, por conseguinte, quem tem de reflectir por ele, não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu quem tem de lhe traçar o caminho; com ele só tenho o direito, que é ao mesmo tempo um dever: o de ajudar a ser ele próprio; como o dever essencial que tenho comigo é o de ser o que sou, por muito incómodo que tal seja, e tem sido, para miim mesmo e para os outros."
"Quando julgo alguém apenas o defino em relação a mim, em sua semelhança ou diferença."
"Se me julgas, te julgas por julgares."
"Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espectáculo, de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo, da plena crianção em todos os domínios, arte, ciência, filosofia, porventura vida também."
"Não me interessa ser original: interessa-me ser verdadeiro."
"Ser intransigente com os outros não tem grande sentido; eles são o que podem ser e creio bem que seriam melhores se o pudessem; a Natureza ou o meio lhes tiraram as condições que os levariam mais alto; não os devo olhar senão com uma íntima piedade."
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