terça-feira, 15 de janeiro de 2013

crítica

Só seremos grandes quando a crítica passar a ser interior em vez de se apontar o dedo ao próximo, quando percebermos que só podemos crescer se pusermos em causa tudo o que somos e em que acreditamos, em vez de atacar os outros para os rebaixar. Rebaixar os outros só dará ilusão da nossa altura.
E só quando essa introspecção for feita, quando descobrirmos o poço de erros que somos, estaremos dispostos não a perdoar os outros, porque não somos superiores a ninguém para termos o poder de perdoar, mas a aceitá-los.
 HP

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Educação de Portugal


Acreditando, pois, que o homem nasce bom, o que significa para mim que nasce irmão do mundo, não seu dono e destruidor, penso que a educação, em todos os os seus níveis, formas e processos não tem sido mais que o sistema pelo qual estra fraternidade se transforma em domínio. (...) o homem, tal como o conhecemos, se fez rei do mundo e irá até onde quiser pela força da sua inteligência, a persistência no querer e a piedade nenhuma pelo que possa vir a opor-se; todos os fracos, do grupo ou não, serão esmagados, e, sabedores disto, todos nós, pelos tempos fora, temos querido que a escola, escola chinesa ou escola alemã, escola chamada progressiva ou escola retrógada, seja fundamentalmente uma fábrica de fortes. Fortes para a invenção na indústria e a concorrência no comércio; (...) fortes para abrirmos caminho, fortes e aí vem a palavra final, para vencermos a vida.
O grave de tudo isto é que nos lembramos sempre da criança que fomos e que por nossas mãos matamos, às vezes nos consolando com a ideia de que eram as mãos dos outros que estavam apertando as nossas para o estrangulamento, mas sentindo bem que o vencer na vida significa afinal o ter vencido a vida; (..) De tal modo nos terá dominado o nosso sistema de educação que nunca mais criança alguma nascerá para ser livre na plena liberdade do mundo? Terá o feitiço tomado conta do feiticeiro e cada vez aperfeiçoaremos mais os nossos sistemas pedagógicos apenas para que cada vez seja maior a nossa eficiência na batalha da vida, ou a batalha em que transformamos a vida? Nenhum dos melhores acreditou jamais em que tal se desse; fé e esperança se têm unido para assegurar que para além de todas as violências, porventura necessárias para que o grupo humano se organizasse, tempo virá de caridade, entendendo-se caridade não como aquele suplemento de humilhação que se leva aos que caíram na luta, mas como o amor irrestrito que, embora consciente dos defeitos do amado, o ama sem pensar em saldo positivo ou negativo.

Agostinho da Silva

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A fé dos homens é ainda na liberdade

"Neste tempo em que estamos, outro nome para nós devem tomar a Beleza e o Amor que Deus é, e o nome que devemos fundir numa Trindade agora plenamente vista é o de liberdade. Apesar do sistema económico que não deixa que os homens aproveitem pleno e rápido o que o génio lhes inventa(...); apesar de vivermos num mundo tão cioso de seu cristianismo que se continua a queimar comida para que os preços não desçam, e isto mesmo num Mercado Comum Europeu de que tantos tão facilmente se enamoram; apesar de homens serem conservados no desemprego, com a fome ou a humilhação do socorro estatal, apenas porque tal convém ao lucro; apesar de que noutra metade do mundo a saída do subdesenvolvimento se esteja processando em regimes que não põem nos meios que empregam a concordância com os fins, isto é, que são repressivos quando têm por ideal a total abolição de autocracias; apesar de se estar caminhando, mesmo nos países que mais livres pareciam, para formas de repressão em que o homem se esmaga; apesar do pouquíssimo respeito que se demonstra pelos direitos do indivíduo ou das nações; apesar de toda a noite que se afigura estar descendo sobre o mundo; a fé dos homens é ainda na liberdade, a pressão sobre a economia é ainda a da liberdade, a limitação aos governos, tão predispostos ao abuso, é ainda a da liberdade; e, na palavra ou no silêncio, mesmo nos mais embrutecidos por qualquer lado das guerras, mesmo nos mais afastados de um pensar coerente, a ideia dominante é a de que querem viver as suas vidas próprias na liberdade e na paz. (…)

Todas as esperanças nos são abertas; os avanços tecnológicos estão ao nosso dispor e para o único fim em que serão úteis, para nos darem tempo livre; talvez, durante alguns séculos ainda, tempo livre para criarmos matemática ou poesia ou pintura; depois, tempo livre já mais certo, que é o de vermos a matemática ou a poesia e a pintura como existindo no mundo à nossa volta com mais plenitude do que em nossas equações, versos e quadros, dispensando a existência dos artistas, que terão sido apenas meios de comunicação da beleza para quem ainda não podia ver directamente; e afinal, na idade melhor, sendo nós próprios matemática, poesia e pintura, vivendo arte e ciência, e, por viver, as criando."

Agostinho da Silva, em Educação de Portugal

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ignoro

Mais grave do que se ser ignorante é ignorar essa ignorância.
HP

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

que comece em 2013


Que mudemos as nossas vidas
(Aquelas que não estão perdidas).
Não falo das dos pobres ou mandriões
Que as vivem distantes contando tostões.
São os outros de classe elevada
que fizeram da sua cabeça quadrada
e fugiram da natureza,
fizeram do humano fraqueza
em vez de talento inesgotável,
fonte infinita de amor potável.
Essas referidas vidas
que digo estarem perdidas
são aquelas que o dinheiro e a ignorância
deixaram o bom senso à distância.
Que vivem a vida ausentes,
em rotinas deprimentes,
onde trabalham, compram casa e casam
e sorriem ao dinheiro que ganham
sem pensar por um segundo
no que vieram fazer ao mundo.
“Não nascemos para trabalhar”
Diz o poeta, “nascemos para criar.”
Nascemos para sermos nós mesmos.
Únicos! sem barreiras nem termos.
E a sociedade que se diz desenvolvida
Devia trabalhar com uma meta definida:
Utilizar o seu conhecimento individual
para se organizarem de forma tal
que facilitem a vida para que todo o Ser
descubra aquilo para que quer viver.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

F. Pessoa

Não é recente a minha rejeição às coisas que me são impostas a fazer sem outra justificação que não seja “é assim que as coisas são”.

E por isso quando, no secundário, me obrigaram a ler Fernando Pessoa porque “é assim que as coisas são”, simplesmente não o fiz. Acabei por passar de ano e acabar o secundário sem nunca abrir a Mensagem ou sem saber mais sobre o Fernando Pessoa do que o facto de ter uns quantos heterónimos.
Desde que acabei o secundário que tenho sido autodidata em questões filosóficas e humanas, fazendo investigações por interesse meu e não por obrigação ou porque “é assim que as coisas são”. Esse meu trajecto de investigação e de aprofundamento intelectual levou-me, inevitavelmente e sem que eu o prevesse ou sequer pensasse, à figura de Fernando Pessoa.
Nunca me tinha surgido o interesse nesta figura, a poesia não é certamente a minha forma de leitura preferida. No entanto, tornando-me eu “aluno” do génio de Agostinho da Silva (que, por sua vez, era “aluno” do génio de Pessoa), vi-me lentamente aproximar do poeta.
Assim, num dos meus passeios pela Bertrand, cruzei-me com um pequeno livro que tinha um artigo escrito pelo Fernando Pessoa, descrevendo as classes intelectuais dos portugueses.
Este foi o ponto de partida, senti que naquele livro (escrito em prosa e não em poesia) estava escrito algumas das questões que eu já tinha levantado através de reflexão própria, mas explicadas e devidamente argumentadas pelo génio (e que génio era!) do Fernando Pessoa.
Esse, como disse, foi o ponto de partida.

A continuação passou-se de forma tão imprevista como a introdução ao génio de Pessoa: Da primeira vez aconteceu eu tropeçar no tal livro “O caso mental português” na Bertrand. Desta vez, calhou tropeçar novamente em Pessoa na Fnac. Procurava eu um livro de bolso qualquer, de preferência de contos, quando vejo um livro fininho (e, presumivelmente, barato) de título “A maçonaria”. Já tive mais interesse nesta questão, por isso não tinha pegado no livro se não lesse o seu autor “Fernando Pessoa”. Fernando Pessoa? Maçonaria? Seria ele maçon?
Comprei o livro por 4 euros e pouco, e li-o em 30 minutos. Pelos vistos, Pessoa não era maçon mas tinha uma opinião muito própria sobre a maçonaria não fosse ele (segundo diz) uma das pessoas fora da maçonaria que a conhece melhor. Aquele livro (que originalmente tratava-se de um artigo num jornal da época), não me serviu para conhecer melhor ou pior a maçonaria, mas serviu-me para comprovar que o Fernando Pessoa era, de facto, uma pessoa de génio, com um poder de reflexão e argumentação que, parece-me, não há outro igual actualmente, pelo menos que seja do meu conhecimento.

Mais importante do que tudo isso, estes dois livros deram-me duas prespectivas diferentes:
Primeiro, tive orgulho em apaixonar-me por Pessoa não por obrigação, mas por natural percurso “intelectual” que estou a tentar fazer. Em segundo lugar, descobri que Pessoa é muito mais do que poesia. Que os seus artigos e textos em prosa são aqueles onde melhor e mais profundamente conhecemos a opinião social e intelectual dele.

E então, um dia, na mesma prateleira da Fnac, encontro um livro chamado “O banqueiro Anarquista”, de Fernando Pessoa. Comprei-o, não fosse ele 5 euros e qualquer coisa. Se foi um livro que mudou a minha vida? É bem capaz de ter sido e eu é que ainda não me apercebi. Sem dúvida que me ajudou a solidificar a minha opinião acerca do anarquismo, mas mais importante que isso, para mim, é como um livro tão forte, tão inteligente e cheio de conteúdo se torna desconhecido sendo ele de um dos maiores autores do século XX.
Tudo isto para dizer duas coisas:
Com este meu caso, comprovado está que o sistema educativo é deficiente e ineficaz, este sistema que desperta o cumprimento de ordens em vez da paixão pelas coisas. Odiei pensar em Pessoa enquanto fui obrigado a fazê-lo, mas logo me apaixonei assim que descobri a sua personalidade por interesse meu.
A segunda coisa é que Fernando Pessoa, muito mais do que um grande poeta, era um grande intelectual no verdadeiro sentido da palavra. Não era um pseudo-intelectual como muitos da altura e todos da actualidade. Para mim o mais importante em Fernando Pessoa não foram os poemas, mas sim a complexidade intelectual que manifestava nos artigos que escrevia.
E por último, segundo o meu mestre Agostinho da Silva, o maior poema de Pessoa não foi qualquer coisa que ele tivesse escrito, mas a própria vida. Viveu como poeta, cumprindo-se, não importando se comia ou bebia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mensagem aos Portugueses

”O que quero de todos os Portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem de dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou carimbo de ninguém.”

Agostinho da Silva

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ensaio sobre o sistema monetário e consequências



Para mim é incompreensível e absurdo a apelidação de “super potências” ou “países desenvolvidos” a nações onde vivem pessoas sem tecto ou sem comida, nações que incitam a guerra ou que, mais simples ainda, condicionem as suas pessoas (não uso o conceito de cidadão porque esse implica que hajam cidadãos “ilegais” e a meu ver é um absurdo que alguém chame a uma pessoa de “ilegal”) a um sistema tão corrupto e perverso na sua essência como é o sistema monetário.
Este sistema que tem tornado o absurdo normal, como o conceito de marcas e outros contribuidores para a desigualdade entre as pessoas. Disse Agostinho da Silva, meu mestre por simpatia, que “nascemos de graça e passamos o resto da vida a ganhá-la”.
O absurdo volta a ser normal quando a única solução para a vida é vendermo-nos como prostitutas (que não condeno, apenas uso o termo para mais fácil compreensão do raciocínio) ao Estado, desperdiçando o nosso tempo num trabalho que a maior parte das vezes não gostamos, para podermos sobreviver. Enquanto houver dinheiro a circular vai ser assim, o sistema monetário cria a desigualdade e esta escravatura moderna tão naturalmente como o fascismo cria censura e ignorância.
Sei que estou a comparar o sistema monetário a uma coisa diferente que é um sistema político. Acontece que ainda existem poucas alternativas credíveis ao sistema monetário e mesmo essas poucas são omitidas por interesses dos que dominam e consequentemente ignoradas pelo “cidadão comum”.
Voltando ao absurdo, os meios de comunicação social têm feito um trabalho excelente na propagação da ignorância das pessoas, no encobrimento das questões essenciais e das alternativas a este modo de viver que todos sentimos que é errado, mas que nada ou tão pouco conseguimos fazer para alterar.
Cresci em Portugal, um país que comemora anualmente o dia da liberdade. Este dia é celebrado no dia em que houve um golpe militar que pôs fim a um regime totalitário de mais de quarenta anos. Depois deste golpe, os portugueses tiveram de volta alguns dos seus direitos humanos. A este retorno de direito chamaram-no de liberdade, e este nome é gritado por todos os meios de comunicação neste dia. Tinha piada (se não fosse tão sério) este fanatismo dos meios de comunicação por vomitarem “Liberdade!”, quando o que esse dia trouxe foi sim um reaver de direitos, mas ao mesmo tempo preparou também o país para um novo estado doente. Quanto à liberdade, no seu sentido literal, ainda não está cá. Não somos livres de viver num sítio diferente a cada dia, não somos livres de andar onde queremos, quando queremos, como queremos. Não somos livres de andar livremente em sítios que o nosso próprio dinheiro ajudou a pagar. Não somos livres de muita coisa, mas a ignorância desse facto, este acomodamento à vida que levamos deve-se em muito a estas duas doenças deste sistema monetário: A comunicação social e a educação. Atenção! Não digo que estes conceitos são doenças, digo apenas que a forma como eles são geridos dentro deste sistema é doentia.
A educação, que tão importante papel tem cumprido na estupidificação do ser humano, no infanticídio intelectual, na preocupação em criar um padrão homogéneo de crianças e adultos que são naturalmente diferentes e têm motivações diferentes uns dos outros.
Podemos continuar o exercício sector por sector, e no tempo que tenho dispensado a pensar neste assunto tudo me aponta que o erro, a falha realmente grave, o maior absurdo, o ponto realmente maquiavélico e a origem de todos estes males é o sistema monetário na sua essência.
Todas as ideologias políticas que se suportem nele são incrivelmente falíveis se tivermos em preocupação a igualdade real entre as pessoas. Enquanto houver dinheiro não irá haver igualdade. E sem igualdade não podemos ter esperança de ver o crime reduzido ou suprimido por completo da existência humana. Não sei se alguma vez o veremos.

Sei, decerto, uma coisa. Que se este nosso generoso e paciente planeta não se vingar definitivamente do que a nossa espécie lhe tem feito (ou caso o próprio Homem não se lembre de suprimir a sua própria raça), sei que de certeza num futuro, que pode não ser tão distante quanto isso, as crianças estarão um dia na escola a estudar o quão primitiva, perversa, e subdesenvolvida a nossa civilização era em termos humanos. E a essas crianças, quando mais tarde nesse dia estiverem com os pais, consigo vê-las perguntar “Porque é que eles demoraram tanto tempo a reparar nisso?”.


Hugo Pinto 11.10.2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Pesadelo Antes do Natal 2012



E de repente, eis que chega O Pesadelo Antes do Natal.
Eis que voltamos ao teatro.
Eis que voltamos a uma aventura.
Brevemente...
(seguir o link para ver a promo deste ano)

http://www.facebook.com/photo.php?v=10152139813340471

sábado, 1 de setembro de 2012

AMESTERDÃO II

E eis que, sem que ninguém o prevesse, em Novembro o casal maravilha vai pela segunda vez  a Amesterdão no ano de 2012.
Convidados especiais:
Sérgio Cruz,
Nuno Freire,
Diogo Alves,
André Caldeira

Já temos bilhetes, mas só acredito quando estiver no avião. Vai ser uma féta, algo me diz...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Avante (?)

Uxu Kalhus, Terrakota e Blasted Mechanism no mesmo dia.
As minhas 3 bandas portuguesas do momento. Não acreditando em coincidências, o Avante só pode ter planeado este dia 8 como minha prenda de aniversário.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Constância a umas horas de distância

E eis que chega um dos fins de semana mais aguardados do ano.

O ritual anual de ida para Constância contará pela primeira vez com a minha presença, depois de nos últimos 2 anos estar a fazer campos de férias nesta altura.

Este ano não estou, e a peregrinação para Constância começará por volta das 16:00.
Somos 30 pessoas, por isso acho que peregrinação é mesmo a palavra certa.

E aquela incerteza se irei sobreviver a este fim-de-semana...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Carta aos meus filhos

(nota: eu não sei falar, nem escrever, de amor)


Entretanto já se passaram muitos anos, muita coisa há-de ter mudado de certeza mas se escrevo hoje este texto é porque acredito que daqui a estes anos todos ainda vou estar com a vossa mãe.
A vossa mãe.
Este é o ano de 2012, 30/07/2012, vésperas do dia em que eu e ela, a vossa mãe, faremos três anos de namoro. Sei que vou ter oportunidades suficientes para vos falar de nós, de como nos conhecemos, de como somos hoje com 22 anos, de como sonhávamos ser no futuro, mas hoje a memória destes eventos é recente enquanto que quando tiver a felicidade de vos ver crescer e vos contar tudo isto a memória estará quase com certeza a preto e branco.
Conhecemo-nos pelo teatro, que só por si é romântico. Aspirantes a actores amadores, fizémos parte de um grupo de teatro do qual eu já fazia parte e a vossa mãe entrou no ano depois de mim.
A vossa mãe fez parte da amizade mais bonita que eu já tive, era a minha melhor amiga antes de eu dar conta disso, e foi também sem dar conta que a vossa mãe começou a aparecer nos meus sonhos.
Na altura eu tinha outra namorada, e nem soube o que pensar quando a vossa mãe começou a visitar-me em sonhos. O sorriso dela, o tom de pele, o cheiro, o toque, tudo isso era tão real em sonhos que deixei de saber distinguir sonho de realidade. Quando dei por mim, eu e a vossa mãe éramos um só. Éramos nós.
Éramos um para o outro, um com o outro, e foi num Verão, no palco de um teatro que já não há-de existir, o Gil Vicente, em Cascais, que pedi a vossa mãe em namoro. Os acasos da vida fizeram questão de tornar esse momento épico, por uma série de imprevistos que me fazem olhar para trás e pensar que só num sonho, só com ela podia acontecer.
Há muito mais para dizer de nós do que eu posso escrever numa série de linhas, mas hoje, ao fim de três anos, não há nada que me faça arrepender de me ter entregue à vossa mãe há muito mais do que três anos.
Não há cliché que caiba no quanto ela me fez crescer, o quanto eu sou feliz com ela, o quanto eu a quero fazer feliz. Sou feliz por tocar-lhe a pele macia enquanto a aperto num abraço que só ela sabe dar. Sou feliz por beijá-la na boca, no pescoço, no ombro… Sou feliz por dar-lhe a mão ou apenas por ouvir a voz dela do outro lado do telefone. Sou feliz por poder deitar-me ao lado dela na cama e desejar-lhe boa noite. Sou feliz por sentir que tudo o que sinto por ela é retribuído. Sou feliz por não duvidar dos sentimentos dela. Sou feliz por saber que ela vai ser sempre o meu apoio, aconteça o que acontecer.
A pessoa que eu tenho ao meu lado é aquela que enche os meus dias. Que enche cada momento de um amor que está para lá da vista, mas também para lá de qualquer dúvida.
Comunicamos até através do silêncio, e isto seria uma metáfora se não fosse verdade.
Ver a vossa mãe dormir, no seu mundo, apazigua-me a alma e faz-me sorrir.
A vossa mãe é simples, e gosta de coisas simples. A vossa mãe tem vida dentro dela, uma vida como nunca vi em nenhuma pessoa. A vossa mãe, tal como eu, não nascemos neste mundo, apenas fomos adoptados por ele. Pessoas como nós fazemos partes de universos que nenhum outro Homem consegue imaginar na sua cabeça. É isto que eu sinto. Que a nossa vida a dois é um mundo criado por nós, sem as barreiras que a realidade tende a construir. Por isso é um sonho.
Por isso a minha vida com a vossa mãe é um sonho, e vocês um sonho serão. E que dentro de vocês estejam os nossos sonhos, e que os vossos sonhos guiem as vossas vidas.

Amanhã faço três anos contigo, Ana, e no meu íntimo sei que isto é muito pouco para aquilo que quero e vou viver contigo.
Amo-te mais do que sei dizer.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

A moral anarquista

Leio “A moral anarquista”, de Piotr Kropotkine, o Príncipe anarquista, escrito em 1891.
Leio não por ser anarquista nem por o querer ser, apenas por interesse em conhecer sistemas que possam substituir este que conhecemos.
Há que ter cuidado em levar “A moral anarquista” à rua, o título em letras grandes amarelas atraem olhares ignorantes que o olham com desdém. Esses que temem a anarquia sem a conhecer, muito menos às suas vertentes.
Não sei se será pior os que a condenam sem a conhecer ou os que a defendem sem terem a mínima noção do que se trata.
Leio “A moral anarquista” porque acredito na abolição de um Estado, de uma autoridade, e porque acredito na responsabilidade individual; o livro pode ajudar-me a fundamentar esta opinião ou, por outro lado, a desacreditá-la.
O mais importante é informarmo-nos, aprendermos, lermos, saber o que são as coisas para depois termos uma opinião sobre ela.
Não somente rejeitá-la ou aceitá-la porque sim ou porque não, ou porque os outros dizem que sim ou que não.

Como diria Fernando Pessoa, esses fazem parte da classe mental do povo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

As classes mentais de Fernando Pessoa


A compra do dia foi dois em um.
A abrir, Fernando Pessoa reflecte sobre as "classes mentais", uma espécie de classes sociais mas de raciocínio em vez de posse. Encontrei alguns pontos comuns entre Fernando Pessoa e Agostinho da Silva nesta linha de pensamento que vou adoptando, e deixo aqui transcrições do início do livro para poder passar a mensagem:
(entenda-se que quando se fala em povo, burguesia e escol/elite, refere-se a camadas de mentalidades, não tendo a ver com os estatutos sociais)

"Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria «provincianismo». [...]
Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental - a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se degisna por escol, ou, traduzido para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas. Por natureza, forma o povo um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; e o pensamento é individual.
O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher - por ideias e não por instinto - entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. [...]
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias.
Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo da escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus - os que o levaram a aceitá-la - e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas."

Fernando Pessoa

Ciúmes e individualidade, por mim


O grande passo para a falta de ciúmes é tentar perceber o porquê de o sentirmos. Uns dizem ser falta de confiança, outros dizem ser medo de perder. Em qualquer um dos casos, antes de se falar em ciúmes, confiança, ou perda, há uma questão que deve ser esclarecida:
Cada um de nós, homem ou mulher, constrói e segue unicamente o seu caminho na vida. Desde o nosso dia de nascer ao dia de morrer, aquele caminho é exclusivamente nosso. O que acontece quando conhecemos alguém com quem temos vontade de passar o resto dos nossos dias com essa pessoa, é que escolhemos seguir o nosso caminho junto do dela. Isto, naturalmente, é diferente de seguirmos o mesmo caminho. Não é por namorar alguém que os dois caminhos se tornam num só e é aqui, na minha opinião, que surge o maior engano. Porque uma pessoa sente que por namorar com outra tem o direito de guiar o caminho dela, de aliviar as passadas, determinar o ritmo.
Nada disto se enquadra naquilo que creio como a individualidade, o dever de nos cumprirmos a nós próprios.
O que se deve é ser grato por alguém se decidir a seguir o seu caminho da vida perto do nosso, e aceitar com a mesma naturalidade quando a outra pessoa acredita que o seu caminho se deve fazer doutra forma.
Posto isto, a questão dos ciúmes perde importância e torna-se num ponto desinteressante, uma vez que aceitarmos que cada ser é individual por mais que o amemos.
O que sobra então? O que esperar do outro? Nunca esperar do outro aquilo que nós faríamos por ele, isso pode começar por prevenir algumas desilusões.
A única verdadeira chave para o amor é a confiança, mas a mentira continua a ser a sua maior opositora. Como a ultrapassar? Assim que é compreendida a questão da individualidade, posso dizer que se as atitudes que tomamos, o que sentimos, o que pensamos, tudo isso moldar o nosso próprio caminho, deixamos de ter de nos justificar perante o outro, o que significa que deixamos de ter de esconder o que quer que seja ao outro e a mentira torna-se desnecessária.
Para mim é nesta espécie de desprendimento que reside a confiança e, consequentemente o amor.
Como terminar os ciúmes? Desprendendo-nos, respeitando o caminho de cada um, aceitar a individualidade de cada um e, acima de tudo, encontrar a sua.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Blasted Mechanism - Alive Oeiras (2007)

Porque estou numa onda Blasted e porque hoje adorava ver um destes ao vivo.


domingo, 8 de julho de 2012

Tocha 2012

Campo de férias Refer Tocha 2012
Vídeo da apresentação final dos Iron Kids, a equipa mais sexy do campo:
 Iron Kids:
Pedro,
Sofia,
Jaime,
Maria,
Tomás,
Mafalda,
Rui, Laura,
Duarte,
M. Malaquias,
Rita,
Daniel  

Grito (ritmo da música do Txu-txu-txá):
Somos crianças,
Somos de ferro,
Somos os Iron ki-ki-ki-kids,
ki-ki-ki-ki-ki-kids...
IRON KIDS!!!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vice-campeãs nacionais

Orgulho, felicidade, incredulidade, entre outros...

Este fim-de-semana disputou-se o campeonato nacional de futsal feminino em juniores. Com o segundo lugar garantido no campeonato distrital, ficando apenas os Leões de Porto Salvo à nossa frente, não éramos, de todo, favoritos à conquista do campeonato nacional, que reunia os campeões distritais do Algarve, Porto, Aveiro, Lisboa e Setúbal.
Conseguimos o primeiro lugar da fase de grupos, à frente do Fátima (2-2), Estrelas do Feijó (2-1) e Portimão (8-1).
A meia-final extremamente bem disputada contra os Restauradores (Porto) deu-nos a vitória no último minuto (1-0), levando-nos à final do Campeonato Nacional...precisamente contra os eternos rivais...Leões de Porto Salvo.

Chegar a uma final de um campeonato nacional com uma equipa que tinha como objectivo no início da época "evoluir e ficar nos 5 primeiros do campeonato regional"...enfim, é de um orgulho desmedido. Todo o espírito de equipa, o espírito de sacrifício, o golo da meia final em que a Brandão sai disparada do nosso meio campo, acaba por tropeçar e cair de joelhos, levanta-se, cruza a bola para a Sofia Jesus que faz o golo da vitória no último minuto....lembro-me de poucas alturas da minha vida em que senti uma explosão de alegria tão grande.

Tinhamos uma final para ganhar, e todos nós acreditámos que assim seria. Em 3 jogos para o campeonato contra o Porto Salvo, tinhamos perdido os 3, mas nunca fomos inferiores a eles. E no campeonato nacional foi mais do mesmo, e o resultado final foi construido assim:
Lombos 1 - Porto Salvo 0
Lombos 1 - Porto Salvo 1
Lombos 1 - Porto Salvo 2
Lombos 2 - Porto Salvo 2
Lombos 3 - Porto Salvo 2
Intervalo
Lombos 3 - Porto Salvo 3
Lombos 3 - Porto Salvo 4
Final.

Isto, com a Pires a defender com uma brilhante defesa um penalti ainda na primeira parte.

Ficámos em segundo lugar no Nacional, mas em mim existem poucas dúvidas de que somos a melhor equipa do país, e não apenas a segunda. Foi um fim-de-semana de emoções fortes, e apesar do primeiro lugar ter estado apenas 20 minutos das nossas mãos, sinto muito orgulho em todas elas.




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Hoje vai ser uma fééétaaa...

Hoje vai ser uma fééétaa...
Em honra ao Dr. Alves, o Opart lançou uma feta trance para comemorar o seu aniversário.
Desta forma, Hugo, o Pinto, regressa ao local da sua primeira féta. Uma noite de emoções fortes. Talvez chore. Talvez não.
 Até às quinhentas! Quando a noite acabar vamos acordar o sol!